Com 50 anos e sem patrão

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Com 50 anos e sem patrão

emprrededor+50anos_coachingmais50.com.brO número de pessoas que abriram negócios quando já poderiam se aposentar (ou pensar em) mais do que dobrou  na última década, com bons resultados: suas empresas faturam mais e têm vida acima da média nacional.

Tradicionalmente, os 50 anos marcam o início da contagem regressiva para a aposentadoria – em especial no Brasil, onde o sistema previdenciário com base no tempo de contribuição permite que se deixe a labuta cedo, em comparação com o que acontece em países como Suécia e Inglaterra. Mas as estatísticas mostram que, ao longo da última década, o sonho de vestir o pijama e não ter hora para acordar vem sendo substituído pela vontade de escrever um novo capítulo na vida profissional.

No Brasil, a virada dos cinquentões é uma transformação palpitante do mercado de trabalho. Desde 2003  foi o único grupo etário a aumentar sua participação na população ocupada, segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mede a cada mês o emprego nas seis principais regiões metropolitanas do país. Ao contrário da maioria dos trabalhadores, que tem a carteira assinada por uma empresa do setor privado, as pessoas com 50 anos procuram não ter patrão. O brasileiro está vivendo mais e continua a ser empreendedor em todas as etapas da vida

A explicação para o fenômeno dos cinqüentões empresários está na combinação da inclinação dos brasileiros por empreender com o aumento da longevidade. Hoje a expectativa de vida média no Brasil está em 74 anos. Atualmente, uma pessoa que chega aos 50 anos com saúde sabe que ainda terá muitos anos pela frente para fazer o que bem entender. Essa disposição para trabalhar até mais tarde vem transformando o conceito de aposentadoria. Até os anos 1960, ela era sinônimo de descanso. Passou a ser encarada como uma recompensa na década de 1970 e, nos anos 1980, como um direito. Hoje, é a oportunidade de recomeçar”, diz David Baxter, da Age Wave, agência americana de pesquisa e consultoria focada no público sênior. Um estudo do grupo Merrill Lynch, feito nos Estados Unidos, confirma: 71% dos entrevistados querem manter algum tipo de trabalho na aposentadoria, e a maioria não cogita deixar o mercado por completo antes dos 70 anos.

A decisão de permanecer na ativa pode traduzir-se numa velhice mais saudável. Muitos estudos relacionam a aposentadoria precoce ao encurtamento da vida, em decorrência de depressão, sedentarismo e stress causados pela mudança de rotina (para não falar da chatice crônica do pijamão, como sabem todos os que convivem com um desses em casa).

Empreender aos 50 tem algumas vantagens, mas se está sujeito às mesmas armadilhas de começar um negócio do zero em idade mais jovem. São erros comuns, entre todos os “calouros” do empreendedorismo, deixar de estudar o mercado em que se vai entrar ou não incluir no planejamento de gastos o montante necessário para o capital de giro. Mas adotar uma visão romantizada do negócio próprio é uma tentação a que o principiante de faixa etária mais avançada está especialmente exposto. Quem sonha com um bar ou uma pousada numa praia paradisíaca no fim da vida, em geral, não leva jeito para ser empresário.  Encostar a barriga no balcão ou passar na empresa apenas alguns dias por semana são passos firmes na direção do fracasso. Inversamente, entrar num negócio preocupado apenas com o dinheiro que se vai ganhar, sem levar em conta o prazer que o trabalho pode proporcionar, é uma receita para a frustração. Além de serem frustrantes, decisões erradas doem mais no bolso de quem já não tem tanto tempo de refazer o capital para a velhice.

Quando a decisão de empreender não é apenas uma fantasia, os cinquentões têm mais chance de sucesso que os mais novos. A Microsoft fez uma pesquisa na Inglaterra e constatou que 70% das empresas abertas por pessoas dessa faixa etária duram pelo menos três anos, enquanto apenas 28% das iniciadas pelos mais jovens têm a mesma longevidade. Isso porque os empresários de 50 anos, em geral, são cautelosos e estudam melhor a concorrência. Eles também costumam ter a seu favor o traquejo na gestão de pessoas e uma rede de contatos estabelecida ao longo da carreira, o chamado networking. De resto, é ter disposição para não desanimar com os obstáculos iniciais. 

Para quem vai recomeçar

O que pesa a favor

  • O autoconhecimento. É mais improvável que se entre num negócio com o qual não se tenha afinidade.
    • A rede de contatos que fez ao longo da vida, o chamado networking.
    • As experiências passadas. Elas servem de referência antes de se decidir no que investir.
    • O conhecimento acumulado. Ele resulta em maiores chances de o negócio dar certo.

 

O que pode pesar contra

  • A visão romantizada. Se sonha com um café charmoso ou uma pousadinha, provavelmente você não tem veia empreendedora.
    • A arrogância. O bom empreendedor deve fazer cursos e analisar permanentemente a concorrência – mesmo já sendo um profissional experiente.
    • Excesso de ousadia. Não há expectativa de retorno que justifique raspar toda a sua reserva nessa etapa da vida.

 

Fonte:  parte do conteúdo extraído da Revista Veja, Edição 2068, de 09 de julho de 2008 no texto do  site: http://www.udemo.org.br/Leituras_07.htm

Category: Trabalho +50

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