Cinco dicas para empreender depois dos 50

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Cinco dicas para empreender depois dos 50

Número de empreendedores dessa faixa etária cresceu 8,8% no último ano no Brasil

Cinco dicas para empreender depois dos 50 Adriana Franciosi/Agencia RBS
 Aos 58 anos, Edmundo Amaral é o mais experiente numa incubadora de negócios  Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

 

Um empreendedor nato. Assim é Edmundo Fernando Amaral. Aos 58 anos, ele se viu criando uma startup num ambiente recheado de jovens criando produtos tecnológicos.  O agricultor de Viamão já foi gerente de multinacional, professor e fruteiro e hoje é dono da Ossopim, uma empresa incubada no Tecnopuc.

Preocupado com a alimentação desde cedo, Amaral criou, na década de 90, uma van que vendia alimentos higienizados nos condomínios fechados que começavam a crescer em Viamão. Em seis meses, ele já estava em 11 diferentes feiras do município e da capital. Cansado da correria das feiras, decidiu produzir artesanalmente uma cadeia de alimentos congelados. Boa parte dos petiscos dos bares de Porto Alegre oferece seus produtos.

– O problema é que a perda de resíduos do aipim e da batata doce é grande e isso me incomodava. Era como jogar comida fora. Como não criamos animais, para usar esses resíduos como ração, precisava encontrar uma maneira de utilizar essa parte dos produtos que são tão ricas. Foi então que pensei em um ossinho pet totalmente orgânico –, contou o empresário.

Amaral é o empreendedor mais experiente na incubadora. Os outros empresários têm entre 20 e 40 anos. O resultado: é ele quem agita os eventos comemorativos entre as outras empresas incubadas e já ganhou o título de assador oficial.

– A gurizada de TI fica tão focada em criar novos produtos que, às vezes, esquece que estamos numa grande comunidade aqui. Eu sou um jovem de 58 anos entre eles.

Tudo começou quando ele passou a planejar no que faria quando mais velho. Ele e a esposa decidiram que teriam uma velhice mais digna, mais saudável, que produziriam os próprios recursos e não dependeriam unicamente da aposentadoria. E tem dado certo. Em recente visita à incubadora, uma representante do governo canadense se interessou pela Ossopim e Amaral passou a pesquisar sobre o mercado internacional.

– Se uma empresa como a minha for responsável, em dez anos, por 1% do mercado pet no Brasil, então eu sei que valeu a pena –, diz.

O principal aprendizado de Amaral nessa experiência como startup é a paciência para seguir cada passo de uma vez.

– Aqui temos acompanhamento sobre cada fase da empresa. Então, primeiro patentiei o processo de produção, registrei o domínio da marca na sequência e agora estou encaminhando toda a documentação necessária para o Ministério da Agricultura. A próxima missão é conquistar um investidor para colocar o produto no mercado –, conta sonhando em construir a fábrica ali mesmo na área que antigamente abrigava um seminário.

A empresa tem feito a vida de Amaral e de sua família seguir as ideias que planejou: ter uma vida mais digna. Mas não é só assim que ele cuida da própria saúde. Preocupado em exercitar também o cérebro, ele se matriculou num curso de mandarim. Todas as quinta-feiras, ele ruma para Porto Alegre onde passas as tardes entre “Xièxiè” e “Nǐ hǎo ma”.

– É muito difícil aprender essa língua. Já aconteceu de eu pensar em desistir, mas a melhor coisas que faço quando passo por esses momentos de crise é respirar fundo e esperar. Logo o entusiasmo e a coragem voltam e sigo aprendendo.

Amaral tem três filhos. A mais nova, Fernanda, vai prestar vestibular no final do ano. Ao invés de simplesmente ficar em casa torcendo, ele decidiu se inscrever para o Enem e para o concurso da UFRGS junto com a jovem. A ideia é, em 2015, fazer parte da turma de calouros do curso de Relações Internacionais.

Na França, 13% das startups são gerenciadas por quem tem mais de 60 anos. No Brasil, o número tende a crescer. Um levantamento feito pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade mostrou que, em 2013, 8,8% das novas empresas criadas no país tem a frente alguém com mais de 65 anos.

O especialista em empreendorismo do Sebrae-RS, André Martinelli, dá dicas para quem, assim como Amaral, não tem medo de colocar as ideias em prática:

1. Conhecer o mercado

– Esse é o princípio básico. Estudar o segmento é importante para saber como a empresa pode atuar. Não existe o melhor negócio, é importante buscar o que se gosta de fazer. Ver dinheiro em caixa de um negócio que só traz insatisfação é decepcionante –, aponta o especialista.

2. Começar no mercado brasileiro é um bom negócio

Mais do que pensar no mercado internacional, Martinelli diz que o mercado interno deve ser priorizado quando um negócio está no começo. Explorar o Marcosul também pode ser um bom investimento.

3. Aprender a aprender

– Até especialistas precisam de especialistas –, é a lição que Amaral aprendeu e colocou em prática. Tanto que foi isso que o levou até a incubadora. Quando teve a ideia da Ossopim, ele procurou na internet ajuda de outras empresas para melhor o processo de secagem das cascas que sobravam do aipim. Ter aptidão para o negócio não quer dizer que terá sucesso. Por isso, é importante estar em uma ambiente que possa capacitar o empreendedor para ser gestor do negócio.

4. Persistência

Martinelli diz que essa é a principal característica do empreendedor de sucesso.

– Muitas pessoas, todos os dias, têm boas ideias. Às vezes, uma ideia inovadora pensada aqui pode também ter sido imaginada por outra pessoa do outro lado do mundo. A diferença está em que não teve medo de colocar em prática –, aponta.

5. Inovar

Atualmente, a palavra “inovação” tem sido associada à área de tecnologia da informação. Mas inovar, para Martinelli, é se tornar diferenciado no mercado. Por isso, é possível inovar desde o atendimento ao cliente até a criação de novos produtos.

Fonte:http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/melhor-idade/noticia/2014/11/cinco-dicas-para-empreender-depois-dos-50-4634688.html  
Category: Trabalho +50

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