Aposentadoria

18/01/2015 | by Coaching+50 |

5.  Aposentadoria: Fase de Transição

 

Neste página trataremos das dualidades e ambivalências que aparecem relacionadas à esta fase de transição na vida. Discutiremos porque a aposentadoria é percebida como um castigo para alguns, enquanto para outros é entendida como um prêmio. Contudo, como tudo na vida, a aposentadoria representa alguns ganhos e algumas perdas. Comentaremos brevemente sobre as 5 gerações de pessoas que nasceram no último século e a grande diferença, entre elas, de crenças, valores, comportamentos e perspectivas em relação à aposentadoria. Importante destacar os aspectos positivos e os aspectos negativos da aposentadoria; com estatísticas que comprovam que muitos aposentados apresentam quadro de depressão, e na forma mais grave, suicídio.  Mostraremos a “nova cara” da aposentadoria, muitos a nomeiam de transição flexível, com aspirações e expectativas apresentadas pelas pessoas.

Cada vez mais assistimos pessoas que têm orgulho de dizer que são  “aposentado sim, inativo não”, é isso pode ser feito de várias formas, uns ocupam-se com voluntariado e hobbys , alguns que depois de um período de ócio optam por retornar ao mercado de trabalho;  outros  que iniciam uma segunda carreira bastante diferente da qual estão se aposentando e aqueles ainda que pela comprovada excelência em suas áreas são considerados “mentes brilhantes”, que  querem continuar à frente do negócio  para transmitir conhecimento e experiência aos companheiros de trabalho mais jovens.

E mais uma vez apresentaremos como o Coaching pode ser uma técnica benéfica nessa transição de vida, mesmo para aqueles que não fizeram um planejamento prévio para se aposentar e ao deparar-se com a nova realidade que são agora” aposentados” ficam temerosos quanto ao futuro. O processo de Coaching orientará e ajudará a pessoa a entender que neste momento é fundamental preparar-se no contexto físico, emocional  e financeiro, para as mudanças e, através de perspectivas positivas, desenvolver as condições necessárias para readaptar-se a essa nova vida com plenitude e satisfação optando pela visão da aposentadoria como “uma segunda chance”. O “o que” e “como” escolherá viver fará toda a diferença no resultado final desse processo, pois afinal será a Escolha do seu “novo projeto de vida”

 

5.1   Prêmio ou Castigo?

Enquanto para uns a aposentadoria parece ser um prêmio almejado, outros a veem como um castigo temido.[1] O prêmio é representado pelas características positivas: a pessoa passa a ter uma renda garantida; liberta-se de horários e compromissos impositivos e poderá escolher o que fazer e dedicar-se a atividades de que goste, como ler, ouvir música, viajar, praticar algum hobby, realizar alguma forma de voluntariado ou, inclusive, iniciar outro trabalho que lhe dê prazer, etc.

O castigo consiste em sentir-se descartado pela sociedade; não mais ter o que fazer no dia seguinte; perder as prerrogativas que o trabalho lhe proporcionava e ver outros assumirem o lugar que foi seu durante anos. Muitos a descrevem como uma fase de improdutividade, de inutilidade, tristeza e em casos mais graves a comparam à morte.  O peso relativo de um ou do outro desses fatores depende de como cada pessoa encara a aposentadoria, de qual era sua relação anterior com o trabalho e da maneira como tenha se preparado para ela. Muitas pessoas têm tal dificuldade de parar de trabalhar que continuam trabalhando mesmo depois de terem atingido o tempo em que poderiam aposentar-se. Outras são tão apressadas em fazê-lo que se aposentam na primeira oportunidade, mesmo que isso implique prejuízos financeiros.

 

5.1.1     Transição com perdas e ganhos

 A aposentadoria é uma transição que pode trazer perdas e ganhos, essa foi a constatação resultante de um estudo realizado com de 517 executivos de grandes organizações no Brasil e na Nova Zelândia, com o objetivo de analisar suas atitudes, avaliadas pela importância dada aos ganhos e às perdas esperadas na aposentadoria.  Foram construídas as escalas de importância de ganhos (EPGR) e de importância de perdas (EPLR), que representaram, respectivamente, as atitudes positivas e negativas diante da aposentadoria.

As cinco dimensões dos ganhos na aposentadoria foram: i) liberdade do trabalho; ii) ter mais tempo para os relacionamentos. iii) novo começo; iv) ter mais tempo para atividades culturais e de lazer; v) ter mais tempo para os investimentos. As dimensões de perdas foram agrupadas em quatro grupos: i) aspectos emocionais do trabalho; ii) aspectos tangíveis do trabalho; iii) relacionamentos do trabalho e iv) salários e benefícios.

Os preditores individuais diziam respeito ao salário, ao percentual de perda esperada na aposentadoria, à saúde e à proximidade da aposentadoria.  Os preditores sociais compreendiam quatro escalas: a influência da família e dos amigos na decisão da aposentadoria, a distribuição do tempo livre entre as atividades (de lazer e cultura, educação, trabalho na comunidade, espiritualidade, cuidado com a saúde, cuidado pessoal, rotinas domésticas, clubes, política e dedicação de tempo para os relacionamentos afetivos, sociais e familiares), o envolvimento e a satisfação que os trabalhadores mantêm com o trabalho  e  as condições de vida da coletividade onde se insere o futuro aposentado.

Os Resultados da pesquisa revelaram que os preditores sociais são mais eficazes do que os individuais ao prever as atitudes dos executivos, bem como influenciavam mais atitudes positivas do que negativas frente à aposentadoria.Em geral, os executivos dos dois países mostraram-se otimistas acerca da aposentadoria e foram unânimes em avaliar o tempo para os relacionamentos (cônjuge, filhos, amigos e pais) como o ganho mais importante, e os salários e benefícios do cargo, como a perda mais importante desta transição.

Para que a transição trabalho aposentadoria seja efetivada de maneira mais tranquila, é fundamental que sejam propostos programas de preparação para a aposentadoria nas organizações, enquanto planejamento para o futuro. Na última década, a aposentadoria deixou de ser uma certeza, como a garantidora de tempo e patrimônio para a pessoa se liberar totalmente de seus compromissos, portanto devemos entender o ato de Aposentar-se como um processo e não uma data isolada, se é evidente que as pessoas viverão mais, ficarão ativas por mais tempo também e quanto antes se preparar para essa nova fase da vida os ganhos percebidos serão maiores do que as perdas.

 

5.2   As 5 Gerações, seus valores e perspectivas

Durante muitas décadas se calculava como sendo uma geração o tempo de 25 anos. Mas nos últimos 50 anos, o intervalo entre uma geração e outra ficou mais curto e hoje, já se pode falar em uma nova geração a cada dez anos[2]. Isso significa perspectivas e visões diferentes a respeito da educação, vida, trabalho, futuro e também da aposentadoria. Para as gerações mais jovens, o prazer e a vida são agora, diferentes de gerações anteriores que pensavam em viver “após a aposentadoria”.

Nos acontecimentos de cada época, está a chave para entender a cabeça de cada geração. De acordo com Eline Kullock[3], especialista em gerações, a Geração Boomer, são trabalhadores tradicionais (nascidos antes do fim da 2ª guerra mundial). Esta geração tem como característica a lealdade e a disciplina, são trabalhadores que tendem a respeitar a autoridade, pois se reuniam em grande número e contribuíram para o sucesso em sistemas hierárquicos do passado. Por terem nascido em um período de guerra, tiveram forçosamente a se adaptar a um ambiente de escassez, valorizando austeridade. Os objetivos sociais da paz e da prosperidade nacional são importantes para esse grupo. Como regra, eles são pragmáticos e disciplinados. Hoje, boa parte, goza da aposentadoria, mas há os que ainda estão em plena ativa, e muitos estão retornando às atividades corporativas

Os Baby Boomers brasileiros, nascidos entre 1945 e 1964, eram jovens quando começou a ditadura, essa é a geração que lutou contra os militares, a geração da Jovem Guarda, da Bossa Nova, do Tropicalismo, do rock in roll e dos festivais.    Os seus pais os ensinaram a chamar de senhor e senhora, ou a pedir a bênção, a ter com os mais velhos uma figura de autoridade e lhes incutiram a ideia que deveriam construir uma carreira que fosse sólida com fidelização ao trabalho.  Eles acompanharam de perto as mudanças culturais e sociais das décadas de 60 e 70, aprenderam a ser contestadores e lutares por seus direitos.

Normalmente valorizam posições hierárquicas e tradições, além de prezarem pela durabilidade de relacionamentos interpessoais no trabalho, permeados por trocas mútuas e valores de reciprocidade. Eles inventaram o termo “workaholic” e muitos deles sofrem de seus efeitos, esperam o sucesso. Eles são otimistas e auto motivados, são as pessoas que nos dias de hoje dirigem as grandes corporações, os líderes e gestores, e boa parte se ocupam com a educação e o desenvolvimento de pessoas nas organizações. Muitos não tiveram ambição para ganhar dinheiro e hoje estão sofrendo com isso, pois não esperaram viver tanto tempo e ou por falta de planejamento, ou por ainda não conseguirem se adaptar a ideia da aposentadoria, muitos continuam na ativa por opção ou por necessidade, pois aquela ideia de que o governo custearia sua pós aposentadoria foi abandonada frente à realidade imposta.

O Legado dos Baby Boomers[4] demonstra que não existe legado maior do que a experiência acumulada ao longo dos anos, dado comprovado pelo levantamento elaborado pela consultoria Hays: atualmente, 20% das companhias contratam profissionais já aposentados, que voltam ao mundo corporativo. O estudo aponta também que 50% dessas contratações acontecem em razão da necessidade de mão de obra especializada, com vivência na área de atuação e experiência em projetos específicos. Há um déficit muito grande nesses perfis, e os Baby Boomers se encaixam perfeitamente nessa necessidade do mercado, pois possuem conhecimentos e experiência que nenhum outro profissional tem.  Essa vivência é a maior herança desse grupo.

Enquanto a Geração Baby Boomer se apresenta como contemporânea ao nascimento da tecnologia a Geração X surge já fazendo uso dos recursos tecnológicos promovidos por sua geração precursora. Surgida em meados da década de 60 e estendendo-se até o final dos anos 1970, essa geração vivenciou no Brasil censurado pela Ditadura, mas um pouco depois, na década de 80, eram jovens e assistiam às Diretas Já.  Quem é da Geração X conheceu a Aids, pintou a cara para derrubar o presidente, viu a tecnologia entrar de vez em casa e pagou contas com cruzeiro, cruzado, cruzado novo.

A Geração X é caracterizada atualmente por certas resistências em relação a tudo que é novo, além de apresentar insegurança em perder o emprego por pessoas mais novas e com mais energia: a Geração Y. Eles têm a vantagem de uma melhor formação acadêmica e estão rompendo com padrões tradicionais, incluindo a criação de ambientes de trabalho informais e transformando as estruturas corporativas de hierárquicas a entidades flexíveis e horizontais. Um valor chave da Geração X é conseguir um equilíbrio entre objetivos de carreira e qualidade de vida.

A educação financeira dos Baby Boomers brasileiros e da Geração X[5] foi construída ao longo de época de alta inflação, em que consumir logo era a regra, caso contrário aquele dinheiro não compraria os mesmos produtos na semana seguinte. Para aqueles que acompanhavam os investimentos, a lembrança de taxas de retorno de dois dígitos ao mês ainda é presente, frustrando estes investidores que hoje se deparam com taxas reais anuais abaixo dos dois dígitos. Além disso, a abertura da economia brasileira e o fortalecimento do poder aquisitivo da classe média oferecem prazeres imediatos que até então eram restritos às classes A e B, incentivando ao consumo imediato maior que a motivação de acumular reservas para a aposentadoria.

No Brasil é comum se aposentar entre 55 e 60 anos de idade, o que pode representar até dez anos a menos de acumulação de recursos para aposentadoria e, consequentemente, dez anos a mais de utilização das reservas acumuladas quando comparado ao trabalhador norte-americano. Este cenário não é um motivador natural para a formação de reservas adequadas para a aposentadoria. Para aqueles que possuem um nível de consciência previdenciária mais elaborado, faltam ferramentas adequadas para um bom planejamento de aposentadoria.  As alternativas para os Baby Boomers são muito distintas das soluções existentes para a Geração X e ainda mais das alternativas que se aplicam à Geração Y. Neste caso não é a forma de pensar que determinará o caminho a ser seguido. Trata-se de algo muito mais simples e universal: é o tempo, o tempo que resta para se aposentar.

Nasce então na década de 80 a Geração Y, que em pouco tempo de vida já presenciou os maiores avanços na tecnologia e diversas quebras de paradigma do mercado de trabalho. É a geração multitarefas, capaz de fazer várias coisas ao mesmo tempo, como ouvir música, navegar na internet, ler os e-mails, entre várias outras que, em tese, não atrapalham os seus afazeres profissionais. Essa geração também apresenta um desejo constante por novas experiências, o que no trabalho resulta em querer uma ascensão rápida, que a promova de cargos em períodos relativamente curtos e de maneira contínua.

Os perfis da Geração X e Y [6]são bastante diferentes quando colocados em comparação os seus comportamentos. Enquanto o X prefere tranquilidade o Y quer movimento; o Y deseja inovar a qualquer custo, já o X prefere a estabilidade e o equilíbrio. Tais contrastes apresentam uma dificuldade para as empresas que possuem colaboradores da Geração X subordinados a Geração Y.

A grande nuance da última delas, Geração Z é zapear. Daí o Z. Em comum, essa juventude muda de um canal para outro na televisão, vai da internet para o telefone, do telefone para o vídeo e retorna novamente à internet. Também troca de uma visão de mundo para outra, nunca conceberam o planeta sem computador, chats, facebook, celular e smartfone. Por isso, são menos deslumbrados que os da Geração Y com tecnologia.  Outra característica dessa geração é o conceito de mundo que possui, desapegado das fronteiras geográficas, para eles, a globalização não foi um valor adquirido no meio da vida a um custo elevado, aprenderam a conviver com ela já na infância.  Formada pelos que ainda não saíram da escola e ainda não decidiram a profissão a ser exercida no futuro, a Geração Z se destaca por sua excentricidade e apresenta um perfil mais imediatista. Querem tudo para agora e não têm paciência com os mais velhos quando estes precisam de ajuda com algum equipamento eletrônico ou algum novo recurso da informática. Esse tipo de atitude sugere que tais jovens terão sérios problemas no mercado de trabalho, quando serão exigidas habilidades para se trabalhar em equipe.

Todas as gerações têm a ensinar umas às outras, um profissional mais velho, mesmo tendendo ao conservadorismo, precisa compreender que o mais novo possui os atributos da inovação, da energia, da motivação e da habilidade em lidar com o novo. Hoje tudo está conectado e as tarefas a serem executadas pelas pessoas dependem dessa conexão e os mais novos, independente da sua competência e da sua aptidão para o exercício aprimorado de suas funções, precisam atingir o equilíbrio através da sobriedade dos mais velhos pois estes têm a capacidade bem definida de pensar estrategicamente, o que torna suas decisões estatisticamente mais acertadas, sem os prejuízos que estas podem causar por não terem sido concebidas de maneira estratégica.

Embora a maioria dos executivos tenham tido sua formação e início de carreira em épocas diferentes, eles começam a esboçar um novo perfil de comportamento diante de uma nova realidade e a empresa do futuro se apresentará como aquela que será capaz de conciliar diferentes gerações em um mesmo ambiente de trabalho, extraindo o que cada profissional tem de melhor e equilibrando os potenciais individuais em função do bem estar coletivo.

 

5.3   Os aspectos positivos da aposentadoria

O significado da aposentadoria para boa parte dos aposentados é como um prêmio pela dedicação de toda uma vida ao trabalho, o que parece estar de acordo com o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda, que relata que ela pode ser considerada como um prêmio, e com o art. 194 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, diz ser um benefício assegurado ao trabalhador.

Para estes a aposentadoria é vivenciada como a conclusão de uma etapa e não a cessação de atividades em geral. É um tempo de crescimento individual, um momento de reorganização da vida, uma vez que planejam a aposentadoria, buscam novas atividades laborais e conseguem permanecer altamente engajados e ativos. A principal vantagem apontada é mais liberdade em relação a ter mais tempo livre, mais tempo para o parceiro, para os filhos, para o lazer, para o descanso, para as atividades culturais, para os amigos, para o esporte, para o trabalho voluntário e para iniciar novos projetos, como voltar a estudar ou virar empreendedor.

Assim, muitas são as formas em que o idoso pode manter-se ativo após a aposentadoria, considerando que, atualmente, há grande preocupação em formular políticas públicas e sociais que promovam o envelhecimento saudável da população. Uma das alternativas é o estímulo ao trabalho voluntário, considerado uma forma de ajuda mútua, onde os idosos que o realizam assessoram a outras pessoas ao mesmo tempo em que se sentem úteis e inseridos na sociedade, sendo que esta troca também reflete na saúde e na qualidade de vida dos voluntários. Outra maneira de preservar a positividade e o equilíbrio emocional frente à aposentadoria é a busca por novas atividades de lazer e a participação em grupos ou em universidades.

A aposentadoria é vista, muitas vezes, como uma solução para os problemas, quando a insatisfação e os conflitos decorrentes do trabalho são muito intensos ou então quando se pretende realizar sonhos não alcançados nas etapas anteriores da vida. A ideia de uma segunda vida também suscita o processo de ancoragem e depende da habilidade em enfrentar o novo e da atitude de responsabilidade individual de planejamento de cada indivíduo de buscar alternativas de continuidade que signifiquem sua vida, como voltar ao trabalho informalmente ou adquirir um hobby.

 

5.4   Os aspectos negativos da aposentadoria

Se aposentar pode significar para muitos um período difícil e de tensão, principalmente no contexto da sociedade em que vivemos. Interromper um fluxo de atividades, de anos de dedicação não é tarefa fácil, pois por mais que se esteja cansado do trabalho, do emprego, da rotina, com frequência muitos acreditam que estar aposentado significa estar incapaz e improdutivo.

São pessoas que usualmente pensam: “o que você faz” é “quem você é” e se aposentar, pode gerar nelas o sentimento de perder aquilo que preenchia a sua vida. Sentem que perderam a própria identidade, acabaram os objetivos e o sentido da vida, pois a sua vida se resumia ao trabalho, que muitas vezes era uma forma de fugir de todo o resto.

Muitos aposentados não sabem o que fazer com o “tempo livre”, não conseguem planejar e organizar os seus dias. A dificuldade pode aumentar quando o aposentado passa a ter que lidar com os conflitos de relacionamento e os próprios conflitos emocionais que tentou ignorar durante anos. Isso tudo pode levar a sintomas de depressão e ansiedade. Muitas pessoas e instituições não se preparam para essa fase da vida, para a chegada da aposentadoria, para vivenciar o que chamamos de desengajamento da vida do trabalho.

Muitas pessoas enxergam a aposentadoria como um momento de ruptura das redes de relações, um momento que terá que se desapegar de seu ambiente e objetos de trabalho, um momento que irá se sentir descartado e inútil. Isso se dá porque muitas vezes esquecemos como a vida se processa e não queremos mudar de idade e de fases, nem de casa, nem de família, nem de deixar de trabalhar. Na engrenagem da vida tudo é um processo adaptativo e isso significa compreender, ajustar os significados, redefinir as metas e propósitos. E para isso muitos precisam de ajuda, porque ao longo da vida, se acostumaram a perceber as pessoas aposentadas como um grupo “de fora”. Muitas vezes surgem os temores às ameaças que virão como o medo de instabilidade econômica, de doenças e da Senioridade.

Absurdamente, uma conjunção comum que ainda fazem à aposentadoria é a morte. Assim, não é sem razão que a categoria dos aposentados é denominada nos registros formais de “inativa”. Sentido oposto à mobilidade, movimento, essência da própria vida. O recado transmitido equivale a: “se você não mais trabalha, deixa de ter importância”. Impondo muitas vezes o aposentado à condição de agressão a autoestima e a imagem de si mesmo, colocando em xeque a identidade pessoal.

 

5.4.1   Depressão pós aposentadoria

Apesar de ser um benefício esperado pela maioria, depois de uma vida inteira de trabalho, a aposentadoria também pode trazer consequências negativas à saúde. De acordo com pesquisa do Instituto de Assuntos Econômicos de Londres, a aposentadoria pode aumentar em 40% as chances de desenvolver depressão.

Os primeiros sintomas que indicam o início de algum problema são queda na motivação, sedentarismo, o estresse e a falta de contato com os amigos e familiares. Na maioria das vezes, a solidão é causada após o termino do trabalho e a perda de relações com os amigos e colegas. A perda de contato com as pessoas fora do círculo da família é uma das principais causas para o aparecimento dos sintomas, pois as pessoas vivem 75% do tempo em função do trabalho e quando elas deixam essa ocupação perdem vínculos e relações de coleguismo. Aproximadamente seis meses depois de terminar o ciclo produtivo, muitos aposentados começam a apresentar sintomas como desânimo, distúrbios de sono, de apetite e de humor. É o peso da falta de rotina que começa a incomodar aos que antes não viam a hora de se livrar dela.

Esses sintomas são muito comuns, na cultura atual, onde o papel profissional tem destaque exagerado. As pessoas trabalham até 12 horas por dia e baseiam sua identidade apenas no que fazem neste período. Geralmente, o aposentado não se prepara para a transição da rotina de correria, de reuniões, de plena ocupação, para um dia-a-dia mais calmo e sem atribuições. Para, a geração atual de jovens trabalhadores, em serviço 24 horas por dia, ao mesmo tempo no celular e no notebook, provavelmente sentirão um vazio ainda maior.

Pelos relatos dos aposentados, ouve-se que no início da “conquista” da merecida aposentadoria, a pessoa tem a fantasia de que vai começar a viver tudo que não viveu até ali por falta de tempo.  É um raciocínio parecido com o das férias, que faz muitos voltarem ao serviço deprimidos. Durante os seis primeiros meses, o aposentado até se anima, sai, tem atividades novas, viagens. Mas depois, a vida não continua acontecendo dessa forma tão maravilhosa quanto imaginada e a pessoa se frustra pelo excesso de tempo livre.  Relatam que na empresa, ele era reconhecido porque era chefe de alguma sessão, era elogiado pelos colegas e reclamam que em casa, onde não é diretor de nada, sente-se desimportante, desmotivado, triste e sem rumo.

O resultado será um aborrecimento generalizado que poderá desencadear algumas desordens físicas e psicológicas, como sono alterado, a obesidade, o alcoolismo, uso de outras drogas, a depressão e em casos extremos até o suicídio.

O estudo mais recente sobre a depressão realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS,2014) mostra que 5% da população mundial, aproximadamente 350 milhões de pessoas sofrem de depressão, e que até 2030, a doença seja a mais comum do mundo, à frente de câncer e problemas cardíacos. No Brasil, a depressão atinge 10% dos brasileiros, mas apenas 4,2% sabem que tem a doença.

A depressão, segundo a OMS, é diferente das mudanças de humor mais comuns. Ela se manifesta por um sentimento de tristeza que dura, ao menos, duas semanas, e que impede a pessoa de levar uma vida normal. É fruto da interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Em muitas ocasiões, está relacionada com a saúde física. Já a ansiedade é caracterizada por excesso de pensamentos negativos, sensação de aflição, incapacidade de relaxar, tensão e preocupação exagerada. De acordo com a organização, a ansiedade atinge 10 milhões de pessoas. Apesar dos altos números, muitas pessoas consideram a depressão e a ansiedade mais um “estado emocional” do que uma doença. A depressão, considerada uma das principais causas de suicídio, aparece desencadeada por fatores genéticos, psicossociais e neuroquímicos, e eventos estressantes como a morte de parentes, a solidão e a aposentadoria, sem planejamento, também podem causar depressão e posteriormente o suicídio.

 

5.4.2   Depressão no Idoso

No idoso, a depressão tem sido caracterizada como uma síndrome que envolve inúmeros aspectos clínicos, etiopatogênicos e de tratamento[7] e suas causas configuram-se dentro de um conjunto amplo de componentes onde atuam fatores genéticos, eventos vitais, como luto e abandono, e doenças incapacitantes, entre outros, que se não tratada, a depressão aumenta o  risco de morbidade clínica e de mortalidade, principalmente em idosos hospitalizados com enfermidades gerais.

Estudos têm demonstrado que no Brasil cerca de 80% dos idosos apresentam, pelo menos, uma enfermidade crônica e, 33%, pelo menos três enfermidades. Enfermidades crônicas e incapacitantes constituem fatores de risco para a depressão. Sentimento de frustração perante os anseios de vida não realizados e a própria história do sujeito marcada por perdas progressivas – do companheiro, dos laços afetivos e da incapacidade de reengajamento na atividade produtiva, e às vezes recursos mal cobrem os custos de sobrevivência, são fatores que comprometem a qualidade de vida e predispõem o idoso ao desenvolvimento de depressão.

É importante o diagnóstico precoce da depressão, para intervenções psicofarmacológicas e prognósticas, em função de diminuir o número de comorbidades e risco de mortes. Os sintomas da depressão podem variar em função dos indivíduos e podem ser causados por várias outras doenças, são entre outros: apatia, tristeza profunda, agitação ou perturbação, baixa autoestima, sentimentos de inutilidade, alteração do sono e do apetite, fadiga e pensamentos mórbidos.

O tratamento do idoso depressivo está baseado em ações de caráter medicamentoso, psicoterápico e de mudanças do padrão de vida e tem por finalidade reduzir o sofrimento psíquico, reduzir o risco de suicídio, melhorar o estado geral do paciente e garantir uma melhor qualidade de vida.

Em todas as fases da vida a família exerce uma importância fundamental no fortalecimento das relações, mas na Senioridade em especial, o idoso precisa que a sua família saiba retribuir e cuidar bem dele, mesmo antes dele adoecer.  Por ser considerada uma instituição cultural onde as representações sociais – valores, sentidos e crenças são atualizados, a família compõe o tripé – educação, trabalho e família –, no qual se assentam as ideias, noções, valores e normas, configurando um modelo de existência que deverá ser utilizado pelo homem para relacionar-se com ele mesmo e com os outros. Em um ambiente familiar suficientemente sadio, onde se predomina uma atmosfera saudável e harmoniosa entre as pessoas, o idoso será visto com uma atitude positiva, de forma a agregar a solidariedade comunitária, por meio do trabalho voluntário, como recurso complementar e auxiliar da família, e para atuar como efeito multiplicador na integração do velho no contexto família /comunidade.

A prevenção à depressão torna-se a chave para mudar o quadro atual e tem mostrado efetividade. Oferecer meios de interação do idoso na sociedade de forma que os mesmos se sintam úteis e participativos contribuem para um envelhecimento saudável. Investir em programas educativos, educação alimentar, treinamento de cuidadores, orientá-los quanto ao uso da vacina e promover programas de prevenção às quedas, como também locais apropriados para esses idosos residirem, são meios de torná-los menos suscetíveis aos fatores desencadeantes da depressão.

Por meio dessas ações, obtemos a inclusão do idoso na dinâmica social, proporcionando a eles oportunidades de moradia, emprego, lazer, acesso à assistência social, preservando sua autonomia, independência e dignidade.  Essa observação torna a temática relevante para refletir sobre a importância do trabalho de uma equipe multidisciplinar no processo de construção de novos projetos na sociedade para os idosos em diferentes contextos.[8]

 

5.4. 3   Suicídio entre os Idosos

A sociedade moderna se organiza em torno do mito da juventude e da cultura que tende a relegar o idoso ao esquecimento, a um papel muito secundário. A aposentadoria para o homem talvez seja mais difícil e dolorosa, porque o papel masculino está muito calcado a partir da identidade profissional, status e prejuízos nos empreendimentos, as vezes, questões de honra que vêm associadas a perdas de bens ou casos em que sua reputação foi maculada ou em que enfermidades os tornaram impotentes, o que afeta profundamente os brios masculinos.

Desta forma, a perda da antiga identidade torna-se mais significativa para o homem do que para a mulher; que geralmente, na medida em que a  casa, o cuidado do lar, dos filhos e netos são a fonte de prazer principal na vida dela, já para o homem é o trabalho e reconhecimento de sua masculinidade e o declínio com a idade criou para ele uma ruptura da vida como um todo.

A Organização Mundial de Saúde[9] divulgou em 2014 o primeiro Relatório Global para Prevenção do Suicídio, revelando que mais de 800 mil pessoas, o equivalente a uma a cada 40 segundos, se suicidam todos os anos no mundo, revelando um grande problema de saúde pública. O Brasil é o oitavo país, nas Américas, em número de suicídios, foram registrados 11.821 casos em 2012. A mortalidade de pessoas com idade entre 70 anos ou mais é o maior grupo.

Com o objetivo de compreender a magnitude e a significância do suicídio na população brasileira acima de 60 anos, pesquisadores do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Carelli (Claves/Ensp), desenvolveram a pesquisa” É possível prevenir a antecipação do fim? Suicídio de idosos no Brasil e possibilidades de atuação do setor saúde” – Realizado no período de 2010 a 2012, abrangeu todos os idosos com 60 anos ou mais que faleceram por suicídio no período de 1980 a 2009 no Brasil.  De 1980 a 2008, as taxas de suicídio no país passaram de 4,0 em cada 100 mil habitantes para 4,8. Tal crescimento suave, porém consistente, se deve, sobretudo, ao aumento das mortes auto infligidas na população masculina de todas as idades e, especialmente, na população acima de 60 anos. Dos 50 municípios brasileiros, 90% das mortes autoprovocadas entre idosos estão no Sul.

A primeira medida preventiva contra o suicídio é manter o idoso valorizado e em atividade como membro daquela comunidade em que vive e a segunda medida é o acompanhamento e cuidados por alguém da família e ter paralelamente uma assistência profissional, de preferência de um psicólogo, ou um Coach que mantenha esse idoso motivado e com vontade de viver.

 

5.5     A nova cara da aposentadoria

Com o conceito de aposentadoria mudando ao longo dos anos, envelhecer deixou de ser um momento de dependência financeira para ser uma fase ativa, produtiva e com novas possibilidades. Aposentadoria já era!  Agora a Senioridade com qualidade de vida é a nova realidade!

A pesquisa “A nova cara da aposentadoria”, da seguradora Aegon[10], parceira global da Mongeral Aegon no Brasil, ouviu 16 mil pessoas em 15 países (China, Índia, Brasil, Estados Unidos, Holanda, Canadá, Reino Unido, Suécia, Turquia, Alemanha, Hungria, Espanha, Japão, França e Polônia), no início de 2014, para identificar como é encarada a preparação para a aposentadoria e como governo e empregadores podem atuar nesse contexto. No Índice de Preparo para a Aposentadoria criado pela seguradora, que varia de 0 a 10, o brasileiro está com nota 6.8, atrás somente dos indianos, com nota 7.  Uma pontuação “média”, que indica que o típico brasileiro com acesso à internet está moderadamente preparado para a aposentadoria.

O objetivo desta pesquisa foi fornecer uma perspectiva mais ampla baseada na população trabalhadora tradicional e na população de aposentados, no Brasil foram entrevistados 900 trabalhadores e 100 aposentados para fornecer um contraste entre as respostas dos atuais trabalhadores e daqueles que já estão totalmente aposentados e a pesquisa não inclui a opinião dos autônomos, estudantes, donas de casa, e aqueles que não estão atualmente empregados ou estejam incapacitados de trabalhar, já que cada um desses grupos enfrenta dificuldades específicas no planejamento da aposentadoria e precisa de intervenções públicas específicas.

 

5.5.1   Uma transição flexível para a aposentadoria

 A longevidade é uma realidade presente no Brasil e no mundo e o cenário que se desenha é o que especialistas chamam de “New Old Age” (Nova Idade Idosa)[11] e aponta para a necessidade de se criar meios para que as pessoas envelheçam em atividade. Autonomia e Independência são dois dos principais investimentos que podem ser feitos para viver bem durante a Senioridade, portanto é urgente desenvolver soluções que permitam garantir renda para esse novo perfil de aposentados que acabam se deparando com a realidade de que o recurso da aposentadoria não será suficiente para manter o padrão de vida.

Um dos pontos que chama a atenção é a tal da “aposentadoria flexível”, também chamada de “aposentadoria progressiva” é que envelhecer deixou de ser um momento de dependência financeira para ser uma fase ativa e com novas possibilidades. São os “novos” idosos que terão condições de viver mais tempo e com mais qualidade de vida, pois a visão tradicional de uma aposentadoria “à beira do penhasco”, na qual trabalhadores alcançam certa idade e interrompem o trabalho remunerado completamente, não é mais esperada no Brasil.

Somente um quarto dos trabalhadores (24%) acredita que vai parar de trabalhar completamente e entrar na aposentadoria. No Brasil, metade (51%) espera algum tipo de transição, mudando a forma como trabalha (trabalhando em tempo parcial ou contratos temporários) antes de abandonar o trabalho remunerado (30% preveem isso), ou mudando o trabalho e continuando de alguma forma durante a aposentadoria (21%). Um sexto (16%) acredita que continuará trabalhando como trabalha hoje. Entre os motivos alegados para permanecer na ativa, estão afirmações como:

  • “Eu gostava do meu trabalho/carreira” (50%);
  • “Queria me manter ativo/manter meu cérebro alerta” (45%);
  • “INSS/benefícios do governo menores do que o esperado” (24%);
  • “Renda na aposentadoria menor do que a esperada” (14%);
  • “Não economizei o suficiente de forma consistente” (10%).

Trocando em miúdos, quem quiser garantir uma aposentadoria saudável precisa se preparar o mais cedo possível.  Planejamento é palavra-chave, mas não só na teoria. É fundamental estabelecer metas realistas, com prazos definidos e que sejam visíveis e possam ser relembrados por sua mente a todo instante.

 

5.5.2   Aspirações e expectativas da aposentadoria

 Os brasileiros são mais propensos a associar a aposentadoria com termos positivos como “lazer” (47%) e “liberdade” (43%) do que com palavras negativas como “insegurança” (14%) e “pobreza” (8%).  Mais de dois terços dos entrevistados (69%) esperam que a economia melhore, muito além dos 28% relatados globalmente. Outros 82% esperam que a sua própria situação financeira melhore, comparado com 31% globais.

Porém, somente um terço (32%) acredita que as gerações futuras estarão numa situação melhor do que os aposentados atualmente, com quase o mesmo número (29%) acreditando que terão uma situação pior. Apesar dos altos índices apresentados, quando perguntados sobre o nível de confiança na manutenção de um conforto contínuo na aposentadoria, traduzidos como a manutenção do padrão de vida conquistado, somente 14% dos pesquisados se dizem muito confiantes. A perspectiva econômica se renova, mas preocupações com futuro e aposentadoria permanecem, o que evidencia a necessidade de um maior compromisso com planejamento financeiro e de buscar soluções que facilitem a poupança para a aposentadoria e que sejam mais flexíveis. Dos entrevistados, aproximadamente metade dos trabalhadores (47%) diz ter um plano, mas somente 22% têm o plano por escrito. Mais de um quarto (27%) diz não ter um plano, menos do que os 40% relatados no resto do mundo

Outra constatação é a de que para a maioria das pessoas os empregadores deveriam exercer o papel de promotores de serviços relacionados à aposentadoria. Mais de um terço (36%) dizem que seus empregadores não fornecem nenhum tipo de serviço de aposentadoria, em uma lista com nove opções, com 9% sem nenhum conhecimento de tais serviços. 82% dos entrevistados consideram que a inscrição automática em soluções oferecidas pelas empresas nas quais trabalham (Ex. fundos de pensão) e uma contribuição de 6% dos seus salários seria uma solução atraente – a maior proporção dentre todos os países pesquisados. O regime de previdência brasileiro divide a responsabilidade da renda da aposentadoria entre o governo, empregadores e indivíduos. Uma vez aposentados, 26% prefeririam receber um montante fixo, que não seria reinvestido e somente 14% receberiam um montante fixo e reinvestiriam tudo num produto com impostos diferidos. Quase a metade (47%) optaria por uma renda normal, um pagamento de anuidade (25%), ou uma parte em montante fixo e outra em pagamento regulares (22%).

O desafio do reequilíbrio fiscal precisará ser enfrentado, após anos de lento crescimento e déficits, com uma reforma da previdência pública, que será vital, pois o governo federal e alguns estados têm feito esforços para suportar os crescentes custos da previdência pública.

 

5.6    Aposentados sim, inativos não

 O conceito de aposentadoria vem mudando ao longo dos anos, aquela cena de anúncio publicitário em que a pessoa aposentada está na praia ou numa casa de campo com as pernas para o ar vem se tornando cada vez mais rara. Na prática, os aposentados mantêm suas atividades normais como qualquer pessoa na fase adulta, alimentam-se, se divertem, viajam, namoram, consomem e boa parte continua trabalhando.

Declaramos esse mito ultrapassado, atualmente, quem se aposenta não puxa uma cadeira de balanço e nem fica de pijama o dia inteiro descansando pelo restante da vida. O que acontece é exatamente o contrário: em vez de ficarem completamente inertes, os idosos resolvem abrir um negócio, montar roteiros de viagem, cursar uma universidade, aprender algo que sempre quis e nunca pode, retornar ao antigo emprego em jornadas reduzidas, etc. Especialistas atestam que a melhor aplicação com foco na aposentadoria não é nem investir em ações, nem em outros ativos financeiros. Defendem que desenvolver novas habilidades que servirão para garantir uma renda extra pode oferecer um retorno melhor, pois a não aposentadoria” significa o impacto financeiro de se trabalhar mais. Mesmo ganhando uma renda menor com um trabalho de meio período, conseguirá mais no período de um ano do que ganharia com a Previdência. Isso muda o quadro final – e não só a renda, porque não precisará usar seu pé-de-meia durante esses anos e poderá aumentá-lo.

 

5.6.1   Retorno ao mercado de trabalho

O retorno ao mercado de trabalho é influenciado por fatores psicossociais[12], mais do que por fatores de natureza econômica ou financeira. A maioria dos aposentados alega que voltaram ao trabalho porque queriam se sentir produtivos, com o cérebro sendo desafiado e livre do “alemão” (Alzheimer).

As necessidades psicológicas e sociais parecem preceder as necessidades materiais, principalmente, por depoimentos de aposentados de querem se sentir ativos, atualizar-se, conviver com outras pessoas e por isso os fatores psicossociais, mais que fatores econômico-financeiros, contribuem para a volta deles ao trabalho. A necessidade de aumentar a renda, embora tenha a sua importância, não foi a motivação mais relevante, além de ter concorrido com as necessidades de convivência com outras pessoas e de atualização.

 Em profissões mais qualificadas geralmente os trabalhadores têm mais espaço para criação e para decisão; o trabalho é menos alienado. Isso talvez os leve a sentir falta da atividade de trabalho em si e do reconhecimento social proporcionado por ele. Em profissões menos qualificadas é provável que os trabalhadores aposentados sintam mais falta do ambiente de trabalho, da rotina e do convívio com os companheiros. O tempo de trabalho pós-aposentadoria também se mostrou uma variável importante no sentido de diferenciar o peso da influência dos motivos atribuídos para o retorno ao trabalho.

 

5.6.2    A segunda carreira

Cada vez mais as pessoas aposentam-se com vigor, energia, capacidade de continuar produzindo, o que é extremamente salutar, pois os benefícios de um trabalho contínuo durante os anos de aposentadoria podem acrescentar mais de uma década na vida destas[13]. Alguns estudos demonstram que pessoas que continuam a trabalhar depois de aposentados têm mais chances de se manterem saudáveis e lúcidos.

Aqueles que se mantiverem trabalhando após os 70 anos terão quase três vezes mais chances de estarem vivos aos 85 anos do que aqueles que pararem de trabalhar. Assim, foi-se o tempo em que a aposentadoria representava o fim de uma vida produtiva, hoje é vista como uma transição para uma nova fase da vida, que pode ter mais duas, três décadas de vida produtiva e feliz, tanto que alguns fazem questão de manter-se ativos até o fim e isso lhes motiva a viver mais.

O Dr. Ken Dychtwald[14] fala que esse momento ocorre entre os 50 e 70 anos, podendo, inclusive, ser uma época de grande frustração ou ansiedade entre os indivíduos, principalmente aqueles que trabalham em áreas ou atividades específicas onde não veem uma continuidade pós-aposentadoria.  É a pergunta que se fazem, seja consciente ou inconscientemente: “O que eu vou fazer daqui pra frente?” De acordo com ele: “o século XXI será comandado pelos novos velhos. Essas pessoas terão outros hábitos, tais como voltar a estudar aos 50 anos, apaixonar-se aos 60, reinventar-se aos 70 e 80.” Alguns reativam sonhos, descobrem aptidões e embarcam em novas carreiras, e provavelmente, poderão exercê-la com vigor por uns 15 até 20 anos ainda, pois é sabido que o trabalho os ajuda a manterem suas mentes e seus corpos ativos, proporcionando interação social e encontrando um sentido para a vida.

Nos EUA, sites de empregos, como por exemplo o Mature Caregivers e o Retirementjob, buscam mostrar que habilidades adquiridas ao longo da carreira podem ser utilizadas em outras funções depois dos 50.[15]  Muita gente acredita que as habilidades aprendidas ao longo de anos não se aplicam a novos setores, que sua experiência é intransferível e que terão de se reinventar para que possam continuar a ser competitivos, e naturalmente, isso pode ser assustador, mas especialistas em carreiras na semi-aposentadoria alegam que existe um verdadeiro mito em torno dessa ideia de “reinvenção”, especialmente quando se trata de pessoas com mais de 60 ou 70 anos, porque não há que jogar fora toda a vida, o trabalho e a experiência profissional, o importante é saber reconfigurar, pegar o velho e misturar com o novo, criando algo que seja empolgante no final.

Um estudo publicado, em 2008, pela American Association of Retired Persons – AARP, revelou que 83% dos trabalhadores estavam interessados em programas que desenvolvam novas habilidades para o aprimoramento de suas carreiras. Porém, 90% dos entrevistados também desejavam novos treinamentos para atualizar seu conhecimento e habilidades.

Para ajudar essas pessoas a descobrirem como suas antigas habilidades podem ser utilizadas de outras maneiras, o Encore.org coordena uma rede de organizações que oferece um programa de bolsas, onde os assinantes devem ter um mínimo de 15 anos de experiência, mas geralmente contam com cerca de 25 anos

Durante o período de bolsas – que dura de 6 a 12 meses, em período integral ou meio período – os participantes recebem de US$ 20 mil a US$ 25 mil por 1 mil horas de trabalho. A principal razão de se inscreverem é que nem sabem que suas habilidades podem ser transferidas e leva um tempo para mudarem de identidade e entenderem que as habilidades conquistadas são para a vida toda e estamos sempre as usando e desenvolvendo

No Brasil, ao analisamos de perto esta nova realidade, quanto mais olhamos mais nos deparamos com casos que entre curtir a vida e voltar ao mercado de trabalho, os aposentados preferem os dois.[16] Esse público tem conseguido de uma maneira bem planejada alinhar a diversão à atividade profissional, na maioria das segundas carreiras escolhidas, não há chefe, nem pressão excessiva e de jornadas exaustivas.

O estresse fica de lado para dar lugar a um trabalho prazeroso, fazendo o que mais gosta sem se preocupar e muitos aposentados têm se preparado para dar um novo rumo à carreira. Eles participam de cursos de qualificação, de MBA, pós-graduação ou mesmo tentam uma nova faculdade.

As tarefas preferidas por aqueles com formação superior são as de assessoria e consultoria, mas muitos partem para negócios maiores, como abertura de franquia, mas nem sempre fazer algo apaixonante significa continuar na mesma área onde se aposentou. Às vezes é importante mudar para trazer um novo estímulo à carreira.

Segundo dados do IBGE, a volta dos aposentados ao mercado está num processo ascendente. De 2000 para 2011, subiu 63%, de 3,3 milhões para 5,4 milhões, o número de parcialmente “inativos” que desempenham alguma atividade econômica.

 

5.6.3   Mentes Brilhantes na Melhor Idade

Um antigo ditado chinês afirma que a mente humana só se torna interessante depois dos 50 anos. Hoje, o grupo etário de mais rápido crescimento é o da Senioridade, mais de 55. As pessoas mais maduras hoje são bastante diferentes –física e mentalmente– das pessoas dessa faixa etária no passado. Atualmente as pessoas mais velhas têm horizontes. Gostam de viajar, correm no parque, jogam tênis. Portanto, esse grupo etário não é nem um pouco tradicional, tanto física como mentalmente, e ainda não o entendemos de verdade.

Peter Drucker[17] nos ensina que uma das lições mais simples e básicas de todo tipo de liderança é descobrir para onde a energia quer fluir, trabalhar com isso e com as pessoas que produzem resultados, porque elas querem os resultados. Às vezes há uma parte dentro de nós tentando corrigir as pessoas que estão erradas em vez de construir algo que está tentando acontecer, devemos trabalhar com as pessoas que estão realmente interessadas.

Se as pessoas gostam realmente de seu trabalho, elas vão inovar, correr riscos, confiar umas nas outras, porque todas estão realmente dedicadas ao que estão fazendo, com o direito ao prazer no trabalho. É necessária uma mudança de mentalidade, pois para aqueles que sentem o trabalho como fardo, rapidamente se acabam na aposentadoria; a maioria delas se deteriora. Só tem bom desempenho quem ama o que faz.

É crucial mudar a mentalidade dominante nas empresas para construir um futuro melhor, os dois cenários radicalmente diferentes no futuro próximo, apontados por Drucker: Primeiro, muitos executivos não permanecerão em seu emprego atual ou em sua área de trabalho até a idade de aposentadoria tradicional. Eles deixarão o emprego muito mais cedo e talvez também se aposentem “oficialmente” mais cedo. No entanto, continuarão trabalhando mais ou menos em tempo integral até quase os 80 anos.

Em segundo lugar, à medida que continuarem trabalhando, provavelmente até o fim de sua vida, eles retornarão aos bancos escolares de uma forma ou de outra pelo menos a cada três anos. Não apenas ler um livro ou participar de um seminário. Significa voltar para a escola, pois precisam adequação constante à nova realidade.

E a boa notícia, em especial para os que tinham calafrios com as previsões alarmistas de morte aos 40 no ambiente trabalhista, é que os executivos estão cada vez mais longe da aposentadoria[18]. O mercado para o seleto grupo composto por altos executivos e especialistas registra aquecimento na demanda por profissionais mais maduros, que já ultrapassaram a fronteira dos 50 anos. Com um detalhe importante: eles encontram espaço cativo não apenas nos postos criados pela Governança Corporativa ou na qualidade de conselheiros (de finanças, fiscal ou de administração), mas agora são disputados para funções executivas de altíssimo desafio e capacidade empreendedora devido à escassez de bons nomes no mercado.

Existe sim vida profissional após os 50 anos e o perfil exigido pelas empresas obriga incluir o executivo sênior durante a fase de seleção. Muitas exigem profissionais com mais de dez anos de experiência em determinado setor, amplo conhecimento do mercado, ser bem relacionado, possuir trânsito internacional e capacidade de gerar resultados sustentáveis. É evidente que este profissional já passou, no mínimo, dos 40 anos Inúmeras empresas procuram executivos experientes, por exemplo, para atuarem como manager interino à frente da construção de nova unidade industrial, filial ou em projetos de expansão. Nestes casos, experiência conta muito e, por isso, são considerados fundamentais para projetos de expansão, já passaram por diversas fases da economia e planos econômicos, conhecem bem a legislação, a burocracia e fatores que podem atrapalhar os investimentos. São ainda recrutados para tocar projetos específicos, como desenvolvimento de produtos, e redesenhos de linhas de montagens. Também são valorizados como consultores especializados em setores do mercado ou como desenvolvedores de equipes.

 

5.7   Desaposentadoria e Desaposentados

Girardi, que atualmente é Coach e palestrante especializado nas fases de pré e pós aposentadoria, conta em suas palestras, como depois de ter autuado durante décadas como alto executivo, foi “remanejado forçosamente ao banco de reservas”, do dia para noite, devido a reestruturação da empresa em que trabalhava. Naquela situação inesperada, ele que estava prestes a entrar na aposentadoria, “perdeu o chão”, pois toda a vida dele funcionava em função do trabalho e não estava nada preparado para se aposentar, o que na época lhe causou muito sofrimento. Mas após de imergir no autoconhecimento e passar por um processo de Coaching, ele percebeu o quanto seria importante alertar as pessoas para se prepararem antecipadamente e não passar pelo mesmo que ele e a partir de então vem ensinando aquilo que aprendeu aplicando em si mesmo e criou o Clube dos Desaposentados, como uma contribuição para reflexão e debate sobre o tema, pois ele entende que a aposentadoria é uma questão de dignidade humana que precisa ser resgatada e muitos são os preconceitos e paradigmas que precisam ser quebrados

O prefixo “des” antes da palavra aposentadoria e com o sentido de “ação contrária/ negação”, objetivando desconstruir, desmanchar, desacreditar falsos mitos e preconceitos que cercam essa fase da vida. A proposta é quebrar paradigmas incutidos durante anos e anos de trabalho, com a intenção de descondicionar as pessoas de práticas oriundas da vida laboral e descontaminar sua mente da falsa ideia de que os aposentados são indivíduos inativos e que não têm nada mais a contribuir à sociedade.

Desaposentadoria pode ser sinônimo de ocupação, atividade prazerosa, bem estar-físico, mental, espiritual e emocional, realização pessoal e harmonia familiar. E três são os conceitos que parecem básicos e podem também definir o que seja um Desaposentado. Desaposentados são os aposentados que sonham, transformam os sonhos em projetos e os projetos em vida. São os aposentados que ocupam a cabeça, mente e coração com atividades que dão prazer, remuneradas ou não, com o propósito de reforçar sua autoestima e fazer com que se sintam úteis e necessários à sociedade. São os aposentados que rimam aposentadoria com sabedoria, filosofia, poesia e alegria.

 

5.8     O Coaching e o novo projeto de vida

A aposentadoria é um daqueles momentos cruciais na vida, onde se torna inevitável a pergunta: O que fazer daqui para frente? E como resposta, a maioria, vislumbra um dilema: Crise ou Oportunidade? Viver refém de um futuro indefinido, convivendo com um fluxo contínuo de preocupações diversas ou definir um norte e tomar a decisão de construir uma nova realidade?

A aposentadoria é uma fase de transição na “nova metade” da vida, agora que tem expectativa de durar muitos anos a mais, é uma fase de reflexão e novas definições como por exemplo como será o convívio familiar em tempo integral, a redivisão dos espaços emocionais e físicos, a readequação das disponibilidades financeiras, além de outros são aspectos de fundamental importância, os quais deverão ser repactuados e vemos que na prática alguns ótimos profissionais em suas áreas, muitas vezes têm dificuldade de visualizar as perspectivas positivas dessas  mudanças, registram esse momento como perda de uma condição alcançada e acabam padecendo de grande sofrimento e desgaste emocional.

É nesse momento que a opção por se submeter a um processo Coaching é bastante propício pois nesse contexto o Coach usará várias ferramentas para a pessoa ver o quanto é importante e necessário nessa fase da vida, dedicar-se à busca do autoconhecimento no sentido de revalidar posicionamentos  e assumir a responsabilidade pessoal de resgatar o sentido do que quer vivenciar enquanto nova realidade. É preciso que a pessoa mantenha uma atenção especial para “fazer um balanço” da própria vida (estado atual), registrando com maturidade as conquistas alcançadas, os fracassos sofridos, relembrar as estratégias que deram certo e aquelas que deram errado, jogar fora aquilo que não lhe serve mais e manter aquilo que lhe é querido. Talvez descubra ser necessário se livrar de maus hábitos e adquirir outros que lhe serão benéficos, como por exemplo, parar de fumar e abandonar a vida sedentária e estressante por uma vida com a prática de atividades físicas, que tornaram seu corpo mais firme e resistente, se alimentar com comidas mais saudáveis, perdendo peso se for o caso e se livrando da pressão alta e outros danos causados pela obesidade.

O Coaching permitirá a pessoa aposentada enxergar diversas diretrizes que podem proporcionar novas possibilidades. Basta apenas que haja uma decisão consistente em fazer acontecer aquilo que torna possível a alegria do novo caminho, é preciso construir estratégias assertivas focando na melhor visão de futuro (estado desejado), traçar estratégias e um plano de ação que possibilite viver com plenitude e um sentido legítimo de felicidade o “novo projeto de vida”.

 

5.9    Iniciando o 2º Tempo da Vida com o pé direito

 O segundo tempo representa a fase que vai da aposentadoria até o final de nossa jornada/missão aqui na terra.

O Coaching, para aquele Coachee que já se encontra no 2º Tempo, trabalhará a partir da aposentadoria, que é uma etapa importante na vida e traz uma série de sentimentos e questionamentos que podem contribuir para o aparecimento de problemas porque o afastamento do trabalho gera sentimentos ambíguos e antagônicos, pois, ao lado da ideia de liberdade, de descanso, de prêmio, está a sensação de inutilidade, de inatividade, de alienação, de vazio e até recusa em aceitar a situação.

No inconsciente das pessoas, aposentada rima com desocupado, desatualizado, ocioso, inativo, improdutivo, fim do caminho e outros adjetivos mais depreciativos do que enaltecedores. É um momento de ruptura com a rotina de décadas e, dependendo da preparação, poderá ser enfrentado sem grandes problemas.

Por isso, o ideal é que a pessoa inicie o processo de Coaching antes de se aposentar (1º Tempo), para preparar-se emocionalmente e racionalmente para esta fase, pois se todas as pessoas tivessem consciência dessa transição de vida e fizessem planos e os colocassem em prática se adaptando para essa ruptura, tudo seria bem mais tranquilo; o problema é quando a pessoa “cai de paraquedas” na aposentadoria, sem treinamento anterior, e as consequências podem ser drásticas. Infelizmente, de vez em quando temos notícias de algum conhecido que depois de aposentar adoeceu ou até mesmo suicidou-se em casos mais raros, mas a falta de planejamento costuma realmente trazer resultados desastrosos.

Referências:

[1]  FREAZA, Valesca. Aposentadoria>Prêmio ou Castigo? Um Estudo Exploratório- Dissertação Mestrado  2010. Disponível em:  http://livros01.livrosgratis.com.br/cp135817.pdf.  Acesso em 03 de Out.2014

[2]  Gerações apresentam diferentes perspectivas e metas profissionais – http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2010/11/geracoes-apresentam-diferentes-perspectivas-e-metas-profissionais.html

[3] KULLOCK, Eline Especialista em geração Y –  Disponível em: http://www.focoemgeracoes.com.br/index.php/tag/eline-kullock/ Acesso em 03 de Out.2014

[4] Disponível em: http://www.focoemgeracoes.com.br/index.php/2012/07/31/o-legado-dos-baby-boomers/ Acesso em 04 de Out.2014

[5] OLIVEIRA, Evandro. Edição Brasil- O espelho brasileiro: a falta de planejamento para a aposentadoria. Disponível em:http://www.hbrbr.com.br/materia/o-espelho-brasileiro-falta-de-planejamento-para-aposentadoria Acesso em 03 de Out. de 2014

[6] BRITO, Marco Paulo. AS GERAÇÕES BOOMER, BABY BOOMER, X, Y, Z. Disponível em: http://advivo.com.br/blog/marco-paulo-valeriano-de-brito/as-geracoes-boomer-baby-boomer-x-y-z Acesso em 03 de Out. de 2014

[7]  GOBBI,Stella:  Depressão no idoso: Diagnóstico, tratamento e benefícios da atividade física. Motriz. 2002; 8(3): 91-8.  Disponível em: http://revista.unati.uerj.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-98232009000200009&lng=en&nrm=iso Acesso em 03 de Out. de 2014

[8] SANTOS, Loide. Fatores que contribuem para a depressão no idoso – Disponível em: http://www.unisa.br/graduacao/biologicas/enfer/revista/arquivos/2011-2-05.pdf  Acesso em 06 de Out. 2014

[9] FIOCRUZ. Suicídio: pesquisadores comentam relatório da OMS, que apontou altos índices no mundo http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/suicidio-brasil-e-8o-pais-das-americas-com-maior-indice Acesso em 06 de Out. 2014

[10] Relatório Brasil – A nova cara da aposentadoria –  Pesquisa Aegon de Preparo para a Aposentadoria 2014

[11]http://dinheirama.com/blog/2014/09/15/aposentadoria-ja-era-agora-nova-Senioridade/#sthash.MEtxETIb.dpuf Acesso em 05 de Out. de 2014

[12]  KHOURY, Hilma Tereza. Por que aposentados retornam ao trabalho? O papel dos fatores psicossociais – Revista Kairós Gerontologia, 13 (1), São Paulo, junho 2010: 147-65. Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/issue/view/367/showToc – Acesso em 05.10.14

[13] RODRIGUEZ, Edson. A Segunda Carreira   Disponível em http://www.rh.com.br/Portal/Carreira/Artigo/7228/a-segunda-carreira.html  Acesso em 06 de Out de 2014

[14]  DYCHWALD, Ken   O mercado emergente dos “novos velhos” Disponível em: http://www.ngd.ufsc.br/files/2012/04/os-emergentes-novos-velhos.pdf  Acesso em 07 de Out. de 2014

[15] Disponível em: http://economia.ig.com.br/carreiras/2014-06-20/quem-disse-que-a-aposentadoria-e-hora-de-parar.html Acesso em 07 de Out. de 2014

[16] Uma Nova Carreira após a aposentadoria. Disponível em:  http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/05/noticias/a_gazeta/economia/1242828-uma-nova-carreira-apos-a-aposentadoria.html Acesso em 07 de Out. de 2014

[17]  DRUCKER, Peter. Mentes Brilhantes – Agenda 2020 – bate-papo inédito, os super gurus Disponível em: http://www.youblisher.com/p/841451-HSM-Agenda-2020-Drucker-e-Senge/ Acesso em 07 de Out. de 2014

[18] WERNER, Axel. Executivos cada vez mais longe da aposentadoria – Disponível em: http://www.kienbaum.com.br/relacoes_publicas_press_releases.php?press_id=13 Acesso 08 de Out de 2014