Melhor Tempo

18/01/2015 | by Coaching+50 |

6. Senioridade – uma nova fase de vida

Nesta página exploraremos a melhor maneira de encarar e vivenciar a Senioridade, que se bem preparada e projetada, pode ser uma das fases mais felizes da vida, “Melhor Tempo” ou “Melhor Momento” , como a denominam alguns autores. Repassaremos o que é envelhecimento ativo, conceito nascido de uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), frente ao aumento da expectativa de vida da população mundial.

Em seguida prosseguiremos com uma novidade excepcional para os idosos:  o cérebro melhora com a idade. Sim, é isso mesmo! As últimas investigações científicas demonstram que a atividade mental modifica o cérebro e nos conduz ao que conhecemos como “Sabedoria”. É o que a Neurociência denomina de Neuroplasticidade, que é moldar a mente, o cérebro, através da atividade.

E não tem como deixarmos de comentar sobre os Desafios e Avanços da Longevidade, uma área nova na medicina, que enfrenta ainda muitos dos desafios causados pelo envelhecimento da população mundial, mas também podemos celebrar vários avanços da medicina e os seus benefícios, em prevenir e cuidar de doenças das doenças ligadas ao envelhecimento, graças a novos medicamentos, novas técnicas de tratamento e cirurgias, que trabalham em prol de uma longevidade.

Citaremos brevemente ainda quais os pressupostos para viver a fase da Senioridade com qualidade de vida, uma nova fase propícia para descobrir a “melhor versão de você mesmo”.

Apresentaremos projetos de locais para idosos viverem bem, apesar de distante de suas famílias, no Brasil as ILPIs, que são instituições governamentais ou não-governamentais, de caráter residencial, com ou sem suporte familiar, apesar de ainda não serem em número suficiente para a demanda de idosos.

Aqueles que tem condições financeiras poderão optar por viverem em locais luxuosos, como hotéis 5 estrelas, já há alguns no Brasil e apresentaremos o Excellence, um projeto americano, em Orlando, uma estrutura de excelência, onde os idosos poderá residir em um apto independente, com corpo multidisciplinar de apoio, condição de liberdade, dignidade e cidadania.

 

6.1     O que é o envelhecimento ativo?

A Organização Mundial de Saúde (OMS), frente ao aumento da expectativa de vida da população mundial, define como prioridade a formulação de planos de ação que prevejam a otimização das oportunidades de saúde, de participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem.

O envelhecimento ativo aplica-se tanto a indivíduos quanto a grupos populacionais, permitindo que as pessoas percebam o seu potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida, e que essas pessoas participem da sociedade de acordo com suas necessidades, desejos e capacidades; ao mesmo tempo, propicia proteção, segurança e cuidados adequados, quando necessários. Pois se envelhecer é natural, isso não implica que a pessoa ao envelhecer tenha que aceitar a queda na saúde e da qualidade de vida como uma coisa natural.

A palavra “ativo” refere-se à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente à capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho. As pessoas mais velhas que se aposentam e aquelas que apresentam alguma doença ou vivem com alguma necessidade especial podem continuar a contribuir ativamente para seus familiares, companheiros, comunidades e países. O objetivo do envelhecimento ativo é aumentar a expectativa de uma vida saudável e a qualidade de vida para todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são frágeis, fisicamente incapacitadas e que requerem cuidados.

O envelhecimento ativo prioriza a atividade física não só após o indivíduo ter atingido faixa de idade mais avançada, mas durante todo o processo. Além disso, é importante manter atividade social, profissional, afetiva e amorosa em todos os sentidos, pois o idoso precisa compreender que só pertencerá à comunidade se agir como ela age, caso contrário, será dela excluído naturalmente, o que seria lastimável porque o idoso tem que ser visto como uma força ativa para a nação, ele tem conhecimento para transmitir para outras gerações e usar sua o a experiência nos segmentos de decisão política, comunitária ou que envolvam projetos de interesse nacional

 

6.2     Neuroplasticidade – para não desligar os neurônios!

Durante muitos anos se acreditou que a partir de certa idade, a dotação de neurônios já não se renovava mais, porém as últimas descobertas da Neurociência surgem como uma fantástica esperança para os idosos, demonstrando que o cérebro pode se regenerar mediante seu uso e potenciação. O cérebro muda de forma, segundo as áreas que mais utilizamos, segundo a atividade mental.[1]

Pesquisadores da Universidade de Londres, em março de 2000) descobriram que os taxistas daquela cidade, tinham uma parte do cérebro  (o Hipocampo – região importante para a memória espacial), particularmente desenvolvida, muito mais que a maioria das pessoas. Chegaram à conclusão que os taxistas desenvolviam mais essa zona porque a exercitavam mais, memorizando a cada dia ruas e rotas. Nesses taxistas a capacidade para memorizar ruas e rotas não diminuía, pelo contrário, aumentava com o passar dos anos. Em 2002, cientistas alemães encontraram os mesmos indícios na Circunvolução de Heschl dos músicos (área da matéria cerebral importante para processar a música). E em 2004 os mesmos resultados foram obtidos pelo Instituto de Neurologia de Londres, na circunvolução angular esquerda, estrutura cerebral importante para a linguagem, no cérebro das pessoas bilíngues.

Destas experiências pôde-se obter os seguintes resultados: a) os seres humanos podem criar novos neurônios ao longo de toda a vida; b) o esforço para criar novos neurônios pode incrementar-se mediante o esforço mental; c) os efeitos são específicos, dependendo da natureza da atividade mental, e os neurônios novos se multiplicam com especial intensidade e distintas zonas cerebrais.

Esses novos neurônios vão para zonas do cérebro que mais usamos e isto é o que se denomina “Neuroplasticidade”, demonstrando a importância de manter uma atividade mental intensa, conforme avançamos na idade.

Assim, da mesma forma que o exercício protege nossa saúde cardiovascular, o exercício cognitivo protege nossa saúde cerebral, é fator de proteção contra a demência e a senilidade e nos estudos envolvendo a Neuroplasticidade, os resultados apontaram que os cérebros das pessoas de mais idade não degeneram, mas que tem uma evolução particular, de acordo com a atividade realizada, também que o cérebro muda de forma segundo as áreas que mais utilizamos e à medida que as pessoas avançam em idade, se dá naturalmente uma deterioração maior no hemisfério direito que no esquerdo.

Isto ocorre porque usam mais o hemisfério esquerdo, que é o encarregado das tarefas já aprendidas e consolidadas. Para aprender algo, necessitamos mais o hemisfério direito, porém quando alcançamos certo nível de perícia, essas atividades passam a ser controladas pelo hemisfério esquerdo. Assim, ao longo da vida, acumulamos um repertório de destrezas cognitivas (habilidades e capacidades para reconhecer padrões), que nos permitem abordar novas situações com familiaridade. É o que popularmente chamamos “Experiência”. Com o passar de nossa vida, a atividade mental vai sendo dominada por várias dessas “rotinas cognitivas”, pelo “piloto automático”. Isto não é mau, pois permite resolver problemas complexos mediante o reconhecimento instantâneo de padrões, sem muito esforço.  Já a estimulação cognitiva, que obriga a utilizar o hemisfério direito, é um ingrediente no estilo de vida, que ajuda a evitar a deterioração cognitiva. A corrente científica dominante respalda a afirmação de que a vida mental intensa desempenha um papel essencial no bem-estar cognitivo nas etapas avançadas da vida.

Desta forma a Neurociência atesta que, contrariando a ideia de que o sistema nervoso central adulto é imutável e refratário à regeneração, achados mostraram a existência de formação de novos neurônios no cérebro quando o indivíduo é exposto a um ambiente enriquecido de estímulos e quando pratica atividade física direcionada. Por outro lado, a inatividade e o desuso podem acentuar a as alterações estruturais e neuroquímicas, favorecendo o declínio motor, sensorial e cognitivo que ocorre durante o envelhecimento. Portanto, podemos concluir que o encéfalo envelhecido apresenta aspectos plásticos negativos que podem ser compensados pelos aspectos positivo-compensatórios, como aprender uma nova língua, fazer palavras cruzadas, etc.

 

6.3   Desafios e Avanços da Longevidade

A medicina da longevidade é ainda uma jovem, de menos de 25 anos de idade, mas com a promessa de um envelhecimento saudável nas próximas décadas[2]. Surgida no início dos anos 1990 nos Estados Unidos, preconiza como abordagem a prevenção de doenças e a qualidade de vida, apresentando novidades a cada ano e, dentro de 10 ou 15 anos, novas tecnologias voltadas para o envelhecimento saudável terão resultados muito práticos e visíveis.  São inúmeras pesquisas em andamento: Células-tronco, terapias genéticas, mapeamento genético, o papel dos hormônios no metabolismo celular, os estudos com peptídeos biorreguladores, que tem ação similar à dos hormônios e ampliam a capacidade celular, etc, cujos resultados irão expandir os limites, de forma inimaginável, da qualidade e da quantidade de vida.

Mas, se por um lado, os estudos da longevidade são promissores, por outro ainda é um entrave à propagação dessas técnicas e o grande desafio é tornar a área mais conhecida e aceita por profissionais da saúde e pela população em geral.  Hoje, no Brasil, são cerca de 1.600 médicos, um número insignificante perto do desejado, de 50 mil, de 32 especialidades, que usam os conceitos da medicina da longevidade, apenas para prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida de seus pacientes. É preciso educar os médicos para que compreendam o processo de envelhecimento e atuem como educadores e promotores de saúde, disseminando as práticas para um envelhecimento saudável.

Pessoas que ultrapassam os 100 anos de idade já são realidade.No Brasil, até 2012, já eram quase 30 mil pessoas com mais de um século de vida, segundo o IBGE. Atualmente, o que pode ser visto das perspectivas sociais, culturais e da saúde é uma nova forma de percepção dos idosos  e inovações na medicina voltadas para essa faixa etária são as principais questões debatidas entre especialistas, que apontam para a necessidade de uma reformulação do setor da saúde, ainda muito voltado para o tratamento de crianças e jovens adultos.

 

6.3.1   Desafios causados pelo envelhecimento

No Brasil, em 2005, alcançamos a expectativa de vida que era esperada apenas para 2045, o que torna cada vez mais urgente se preocupar com a qualidade de vida dessa população. Para a medicina, esse novo perfil populacional em escala mundial representa novos desafios, talvez o maior deles seja o aumento das chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)[3], essas doenças diminuem a capacidade funcional dos pacientes e aumentam a dependência de maiores cuidados. Elas não têm cura e demandam tratamento constante, que podem evitar sua progressão para estágios mais avançados; além de representarem boa parte dos gastos com saúde, que, por sua vez, respondem por uma porcentagem considerável das despesas das famílias Mas o pior é quando um paciente idoso não consegue tratar adequadamente uma ou mais doença crônica por falta de recursos financeiros.

Na lista destas doenças estão:  diabetes, hipertensão arterial, artrite e problemas cardíacos, entre outras. Entre elas, as doenças cardiovasculares respondem por 56% das mortes em todo o mundo, segundo estudos publicados no Monica Project, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por importantes avanços, principalmente por buscar a prevenção como solução dos principais problemas que afetam a população. Mas a grande demanda e a falta de atenção holística abrem brechas no serviço de assistência universal e de acompanhamento desses doentes. O modelo padece de oferta de um correto acesso, como também de acompanhamento aos pacientes.

Um dos problemas, detectados pelos especialistas na área, geriatras e gerontólogos, é que os experimentos para descoberta de novos medicamentos e práticas cirúrgicas são realizados com pessoas jovens, na maioria das vezes, e não leva em consideração o organismo de pessoas mais velhas, ignorando os problemas específicos da idade avançada. As pessoas com mais de 80 anos são excluídas dos estudos.

Outro desafio apontado pelos especialistas é que hoje no Brasil, temos um sistema de saúde que, na própria formação médica, é voltado para os problemas das pessoas mais jovens e a parcela de pessoas mais velhas é a que mais cresce.  As faculdades de medicina, os serviços de saúde têm que se adaptar a essa nova realidade e pensar nas doenças crônicas e degenerativas, que são muito mais complexas, E isso tudo requer um aprendizado desde a formação, de toda a área médica, inclusive da família, que é o principal cuidador.

A longevidade é um fenômeno mundial, mas seus efeitos tendem a ser mais dramáticos nos países em desenvolvimento, porque os países desenvolvidos tornaram-se ricos antes de envelhecer, enquanto os países em desenvolvimento envelheceram antes de enriquecer, o que faz toda a diferença. A sociedade precisa se preparar para a longevidade e, sobretudo, buscar viver mais tempo com qualidade de vida, porque envelhecer sem saúde é um prêmio envenenado[4].

O Brasil caminha a passos rápidos para ter expectativa de vida próxima de países europeus, e existem quatro fatores de riscos que devem ser cuidados desde já para uma Senioridade mais saudável e menos propensa a doenças crônicas, pois não é o envelhecimento que provoca as incapacidades, mas sim a forma como decidimos envelhecer, o que pode significar chegar à Senioridade mais ou menos saudável, são fundamentais para evitar as incapacidades funcionais dos futuros idosos: alimentação equilibrada, exercícios físicos, consumo reduzido de álcool e banir o tabagismo.

Também são notados os efeitos do processo de envelhecimento na previdência social, que hoje enfrenta um déficit anual na casa de RS 100 bilhões e, mantido o atual quadro, tende a se agravar nas próximas décadas e será necessária coragem política para evitar que a conquista de longevidade vire um grande desastre social. Precisaremos considerar reformas adicionais no sistema de aposentadoria, como aumentar a idade mínima para o brasileiro receber o benefício e/ou diminuir o montante gasto. Isso já aconteceu com países da Europa, como França, Alemanha e Espanha. É uma tendência mundial.

 

6.3.2 Os avanços da medicina e seus benefícios

O Brasil, no que diz respeito ao nível técnico da medicina da longevidade, se encontra entre os melhores do mundo, nesta área, no mesmo patamar de Estados Unidos, Bélgica, Espanha, Itália, Coreia do Sul, Japão e Cingapura.  Tanto os profissionais da Gerontologia que é a ciência que estuda os processos do envelhecimento das pessoas e como proporcionar-lhes uma melhor qualidade de vida com um envelhecimento saudável, como da Geriatria que é a ciência da área médica que estuda e trata das patologias das pessoas idosas; trabalham arduamente  para que os avanços científicos e novas práticas de tratamento e conduta junto ao idoso, sejam inseridos nas políticas públicas de saúde e programas sociais, de forma que permitam desenvolver ações preventivas, mais próximas dos cidadãos idosos, acessíveis e sensíveis às necessidades mais frequentes da população da Senioridade, envolvendo  ação integrada   à mudança de comportamentos e atitudes da população em geral.

No último século, o avanço mundial da medicina, tem sido constante e em diversas áreas, o que garantiu o tratamento de doenças que, há algumas décadas, eram incuráveis, como as cardiovasculares, cânceres e infecções, mas atualmente, existem muitas maneiras da pessoa se prevenir e tratar esses grupos de doenças, ainda, as campeãs em causa de mortalidade; segundo dados estatísticos, os problemas cardíacos no Brasil matam cerca de 300 mil pessoas por ano, ainda é a mais fatal, comparando-se com outras doenças como o câncer e as mortes por acidentes.

Mas se antes, sempre ao enfartar a pessoa morria, hoje, não precisa mais morrer disso. Um câncer de intestino, ou de tireoide, hoje em dia são plenamente tratáveis e uma maior facilidade de cura dessas doenças permitiu que os “centenários” pudessem viver ainda mais; vide que as projeções apontam que, em todo o mundo, o número de pessoas com 100 anos de idade ou mais passará de 145 mil em 1999 para 2,2 milhões em 2050, aumentando 15 vezes até 2050.[5]

Atualmente, além da expectativa de vida nos países mais desenvolvidos estar próxima dos 80 anos, descobrir doenças e curá-las, através de um diagnóstico precoce é uma realidade, graças aos aparelhos de última geração. As doenças coronárias e cancerígenas, consideradas como as doenças que mais matam, são também as que mais estão recebendo investimentos para aperfeiçoamento de aparelhos para diagnósticos. A cada dia, surgem novos equipamentos, com um grau de precisão maior e mais capacidade de definição de imagens e alguns exemplos de que isso salva vidas são: o câncer da próstata, se diagnosticado em sua fase inicial, a chance de cura varia de 70% a 90%; o câncer de mama, com os avanços da técnica de mamografia, mais de 90% dos casos são curáveis se descobertos precocemente, com o aparelho de densitometria é possível perceber a perda da massa óssea a partir de 2% e com isso pode-se buscar paralisar o processo e evitar a osteoporose.

Infelizmente, até o momento, não existe cura para a Doença de Alzheimer, mas os avanços da medicina têm permitido que os pacientes tenham uma sobrevida maior e uma qualidade de vida melhor. Nos portadores de Alzheimer, a região do hipocampo é uma das primeiras a encolher, o centro de memória funciona nessa área cerebral, convertendo as memórias de curto prazo em memórias de longo prazo. Assim, a degradação do hipocampo revela os primeiros sintomas da doença, como a perda de memória e a desorientação.

Um recente estudo descobriu que os cérebros podem começar a mostrar sinais mal do Alzheimer cerca de uma década antes da condição ser reconhecida pelos médicos e que varreduras do cérebro mostram uma retração no córtex cerebral de idosos que posteriormente desenvolveram a demência. Isso sugere um “indicador” para o mal de Alzheimer e dessa forma, os médicos podem identificar os pacientes em maior risco de desenvolver a doença.  E se alguma terapia, droga ou tratamento for desenvolvido no futuro, aqueles que ainda estão sem sintomas, mas com grande risco, seriam os mais beneficiados; uma vez que a característica do mal de Alzheimer, é condição que só é oficialmente diagnosticada por autópsia.[6]

O Mal de Alzheimer é uma das formas mais comuns de demência, afetando mais de 35 milhões de pessoas no mundo e um milhão no Brasil e uma Pesquisa atestou que a doença de Alzheimer foi revertida pela primeira vez, por uma equipe da Universidade de Toronto, que usou uma técnica de estimulação cerebral profunda, diretamente no cérebro de seis pacientes, conseguindo travar a doença há agora já mais de um ano. Em dois destes pacientes, a deterioração da área do cérebro associada à memória não só parou de encolher como voltou a crescer. Nos outros quatro, o processo de deterioração parou por completo e testes realizados um ano depois mostram que a redução da glicose foi revertida nas 06 pessoas. Mesmo não conclusiva, esta descoberta pode levar a novos caminhos para tratamentos de Alzheimer.[7]

Outra pesquisa da equipe da Universidade de Leicester, Inglaterra, realizada com ratos para tentar curar as doenças de príon, concluiu que injetar uma certa proteína em ratos com a condição protegia suas células cerebrais durante mais tempo e prolongava suas vidas e segundo os cientistas, o processo pelo qual as doenças de príon afetam o cérebro de ratos é parecido com o de outras condições cerebrais degenerativas em humanos, como Alzheimer ou Parkinson e querem usar esses avanços para testes também nas duas doenças.[8]

Aconteceu ainda um grande avanço nas áreas de dermatologia, medicina estética e cirurgia plástica. Hoje, graças à evolução tecnológica, novos produtos, técnicas e com os descobrimentos de novos remédios, ácidos e cremes, já é possível retardar uma cirurgia plástica por muitos anos.

A tendência atual é recorrer sempre a medicina preventiva, não só quanto aos recursos terapêuticos, médicos ou cirúrgicos, mas também aos recursos econômicos, sociais e culturais. A descoberta precoce de uma doença é cada vez mais valorizada na medicina moderna, não por razões puramente médicas como também econômicas. Mais empresas estão investindo neste tipo de check-up anual de seus funcionários e há estimativas que mais da metade das doenças está relacionada ao estilo de vida, portanto a prevenção é o melhor remédio.

 

6.4     Vivendo bem mesmo distante da família

As mudanças ocorridas na dinâmica demográfica mundial, tais como queda da fecundidade, aumento da expectativa de vida, alterações nos arranjos familiares, bem como o aumento da população na Senioridade, apontam para a necessidade de cuidados extradomiciliares para este segmento populacional.  A longevidade populacional trouxe consequências para governos, sociedade e principalmente para a família, que vem passando por alterações estruturais no que se refere à divisão social do trabalho entre seus membros, sua reprodução e novas agregações, o que influi sobre a forma como os membros dependentes passam a serem cuidados.

 

 6.4.1   Instituição de longa permanência para idosos (ILPI)

 No Brasil, não há consenso sobre o que seja uma Instituição de longa permanência para idosos – ILPI. Sua origem está ligada aos asilos, inicialmente dirigidos à população carente que necessitava de abrigo, frutos da caridade cristã diante da ausência de políticas públicas.

Isso justifica que a carência financeira e a falta de moradia estejam entre os motivos mais importantes para a busca, bem como o fato de a maioria das instituições brasileiras ser filantrópica (65,2%), o preconceito existente com relação a essa modalidade de atendimento e o fato de as políticas voltadas para essa demanda estarem localizadas na assistência social.[10]

Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, ILPIs são instituições governamentais ou não-governamentais, de caráter residencial, destinadas a domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania.

 É comum associar ILPIs a instituições de saúde, mas na verdade esses locais têm por finalidade proporcionar serviços na área social, médica, psicológica ou terapêutica. São moradias especializadas, demandando para tanto de uma equipe multiprofissional e com preparo técnico em Gerontologia. Em 2011 foi apresentado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) o estudo “Condições de funcionamento e infraestrutura das instituições de longa permanência para idosos no Brasil”, feito de 2007 a 2010, verificou  a existência de 3.548 instituições de longa permanência no território brasileiro, das quais 3.294 responderam à pesquisa. Entre essas novas casas para idosos, a maioria é privada. Ainda no período de 2000 a 2009, observou-se que 57,8% das instituições tinham essa natureza jurídica. Isso não significa que a maior parte desses estabelecimentos tenha fins lucrativos: 65,2% dos estabelecimentos são filantrópicos. Apenas 6,6% das instituições brasileiras são públicas ou mistas.

As instituições brasileiras para idosos estão concentradas na região Sudeste (dois terços), sendo que apenas o estado de São Paulo tem 34,3% do total.  O custo de cada instituição é muito afetado pela sua natureza jurídica e oferta de serviços.[11]

Nos estabelecimentos registrados pelo Ipea, moravam 83.870 idosos – isso significa apenas 0,5% da população idosa. Essas casas existem em apenas 28,8% dos municípios brasileiros. O baixo número está associado à pequena procura por esse tipo de residência, justamente porque a opção de internar o idoso ainda se dá no limite da capacidade familiar em oferecer os cuidados por meios próprios. Apesar dessa constatação, a quantidade das instituições de longa permanência está crescendo, se comparada com os anos 40. Desde 1940 até 2009, 2.897 novas instituições foram abertas, sendo que de 2000 para 2009 foram inauguradas 90.

A conclusão parece ser óbvia pois se a quantidade de familiares que antes cuidava dos mais velhos diminuiu e com o núcleo familiar cada vez menor, a busca por ‘cuidadores’ fora da esfera parental deve crescer.

 

6.4.2    Residenciais para Idosos viverem com Excelência

Comuns nos Estados Unidos e em países europeus, as residências especializadas para o público na Senioridade, funcionam como uma espécie de hotel/ condomínio e já são realidade no Brasil. Em São Paulo já existem esses espaços, que são utilizados tanto para quem enfrenta problemas de saúde e  também por pessoas saudáveis  mas que, por uma série de razões, optam por viver em comunidade e, ao mesmo tempo, usufruindo de serviços e de atendimento como fisioterapia, hidroterapia e até salão de beleza.

Estas Residências/Condomínios são opções cada vez mais seguras para garantir uma Senioridade extremamente confortável, pois ser idoso não é impedimento para se ter uma vida intensa. Há toda uma máquina econômica que gira em torno da população acima dos 60 anos, oferecendo os mais diversos produtos e serviços. Muitos idosos possuem energia, querem fazer atividades e participar de maneira ativa da sociedade, mas precisam de cuidados e atenção que a família nem sempre pode dar. De olho nesse público, pipocam lentamente pelo País residências de alto padrão específicas para a Senioridade.[12] A maioria está lotada e com fila de espera de novos pretendentes a hospedes.

Na maioria destes espaços, os hóspedes têm liberdade para passear, podem sair sozinhos, mediante aviso prévio, para fazer caminhadas, ir fazer compras, ir ao banco, no cinema e até dançar. Parecem hotéis de luxo com piscina, academia, home theater, bar, restaurante, etc. Alguns incluem na mensalidade duas viagens por ano: uma para a praia e outra para a montanha e há também atendimento hospitalar e médicos de plantão 24 horas por dia.

A maioria dos residentes são idosos de mais de 70 anos, com bom poder aquisitivo, que não querem dar trabalho para a família e querem continuar independentes mas com conforto e a segurança de ter o apoio médico por perto, dizem que gastariam mais se morassem nas próprias casas, mas o que fica evidente é que para viver muito bem na Senioridade é preciso sacrificar o consumo de hoje, guardar desde jovem, investindo para o amanhã.

Em Orlando, Flórida está para ser inaugurado, no primeiro trimestre de 2015, o sonho de consumo de boa parte da população que está na Senioridade – O Excellence ALF, um projeto inovador e elaborado, especificamente, para melhorar a qualidade de vida dos “felizardos” futuros moradores, que poderão passear em belos jardins, usufruir da elegância de um hotel requintado, com todos os confortos como se estivessem em suas próprias casas, com a segurança de contar  com uma equipe multidisciplinar de apoio, quando precisar.

O Excellence ALF está localizado em um ponto estratégico da cidade, na Semoran Blvd, a 5 minutos do Aeroporto Internacional de Orlando, em um edifício com três andares com 131 apartamentos e a uma curta distância de restaurantes, mercearias, ótimas lojas, bancos, e muito mais, pois tem como vizinhos, um maravilhoso campo de golfe e os imperdíveis parques da Disney, com os quais tem convênio para os hóspedes poderem usufruir, além de uma gama de atividades sociais que serão planejadas  e colocadas à disposição dos moradores. Serão diariamente oferecidas três refeições de alta qualidade, elaboradas por nutricionistas e preparadas por um gabaritado Chef. Outra excelente notícia é que o atendimento será todo em 3 línguas: Inglês, Português e Espanhol, possibilitando a hospedagem de pessoas de qualquer lugar do mundo, em um ambiente que tem a missão primordial de fornecer excelentes serviços de hospitalidade, cuidados pessoais e de desenvolvimento, visando o bem-estar e a felicidade dos residentes na sua idade de maestria.

O grande diferencial desse valoroso empreendimento é proporcionar aos seus hóspedes a oportunidade de independência contínua, dignidade, uma  vida ativa, com um estilo saudável e prazerosa, pois seus moradores terão a oportunidade de interagir diariamente com outras pessoas, através dos programas de estímulos às relações interpessoais, que os incentivem a fazerem novas amizades e, além disso, descobrirem novos interesses.

Os residentes do Excellence ALF desfrutarão de apartamentos privativos com serviços na área de saúde 24 horas e onde poderão ter acesso a salões de jogos, academia com fisioterapia, restaurante, salão de beleza, sala de artes, de tecnologia e jogos, além de sessões psicologia, Life Coaching e Coaching Integrado com a Neurociência, voltado especialmente para a faixa etária. É um lugar de sonhos, que vai transformar esta fase na mais feliz da vida!

Referências:

 [1] GOLDEBERG, Elkhonon  Neuroplaticidade para desligar os neurônios  Disponível em:

http://livrepensar.wordpress.com/2009/01/27/neuroplasticidade-pra-nao-desligar-os-neuronios/ Acesso em 03 de Nov. de 2014

[2] RACHID, Ítalo Longevidade Saudável. Disponível em https://www.facebook.com/Homeosstasis/posts/750551288297801?stream_ref=10 Acesso 03 de Nov de  2014

[3] MONTEIRO, Luiz Carlos Conquistas e Desafios da Longevidade. Disponível em: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/482097/conquistas-e-desafios-da-longevidade Acesso em 03 de Nov. de 2014

[4] Desafios da Longevidade disponível em  http://www.sonhoseguro.com.br/2012/08/os-desafios-da-longevidade/ Acesso em 03 de Nov. de 2014

[5] Século 21 em ação longevidade e desafio para a medicina e sociedade. Disponível em: http://www.jb.com.br/pais/noticias/2014/01/04/seculo-21-em-acao-longevidade-e-desafio-para-a-medicina-e-a-sociedade/ Acesso em 03 de Nov. de 2014

[6] Sinais de Alzheimer podem aparecer 10 anos antes da doença ser diagnosticada. Disponível em: http://hypescience.com/sinais-de-alzheimer-podem-aparecer-10-anos-antes-da-doenca-ser-diagnosticada

[7] Disponível em: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=58047&op=all Acesso em 05 de Nov de 2014

[8] Disponível em: http://www.hc.ufpr.br/?q=content/cura-para-o-mal-de-alzheimer-injecao-se-torna-esperanca-no-tratamento-de-doencas-cerebrais. Acesso em 05 de Nov de 2014

[9] FRANKL, V. E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. 33.ed. Petrópolis, RJ: Vozes

[10]  CAMARANOL, Ana Amélia. As instituições de longa permanência para idosos no Brasil – Revista Brasileira de Estudos de População Print version ISSN 0102-3098 Rev. bras. estud. popul. vol.27 no.1 São Paulo Jan./June 2010 Disponível em:  http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-30982010000100014&script=sci_arttext  Acesso em 06 de Nov. de 2014

[11]  Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/ipea-traca-perfil-dos-abrigos-de-idosos-no-brasil Acesso 06 de Nov. de 2014

[12]  Disponível em: http://www.terra.com.br/istoedinheiro-temp/edicoes/616/artigo144877-1.htm Acesso em 06 de Nov. de 2014