Nova Senioridade

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2. A percepção da Nova Senioridade

Neste página trataremos de vários tópicos que dizem respeito à percepção da “Nova Senioridade”, pela própria pessoa com mais de 60 anos e pela visão da sociedade sobre os idosos, no Brasil e outros países, pois ocorreram inúmeras mudanças sociais e no modo como o mundo percebe e lida com os idosos atualmente, que estão muito mais joviais e ativos. Faremos um breve relato do envelhecimento nas diversas culturas e sociedades, uma reflexão sobre o culto ao corpo e à beleza e as relações desiguais de gênero na sociedade, que tratam de modo diferente o envelhecimento no homem e  na mulher, como é descrito o sentimento de envelhecer por ambos e conheceremos os resultados pesquisa sobre a importância da visão positiva da Senioridade.

Analisaremos os novos comportamentos da “Nova Velha Geração”: a prática de atividade física, idosos internautas que derrubam estereótipos, o papel das mulheres, os idosos que fazem a opção por morar sozinhos, que têm sexualidade ativa, participação na política, são consumidores exigentes, apresentam desejo de diversão e cultura, quebram paradigmas.

Enfim, o fato é que há um novo tipo de Senioridade, que está literalmente “ganhando o mundo”, estão celebrando a Vida e saboreando a Longevidade e Sabedoria, conquistas adquiridas em sua trajetória de vida.

 

2.1     O envelhecimento em diferentes culturas

Para a Organização das Nações Unidas – ONU são considerados idosos os seres humanos com 65 anos e mais, em países desenvolvidos; e nos países em desenvolvimento, aqueles com 60 anos e mais, como é o caso do Brasil. A Senioridade e o envelhecimento não devem ser estudados apenas como fenômenos biológicos e naturais, mas como fenômenos profundamente influenciados pela cultura e acontecimentos de determinadas sociedades.

Em certas sociedades, em especial as orientais, o envelhecimento é compreendido mais em termos de aquisição e progresso, onde os idosos são respeitados pelos conhecimentos que adquiriram ao longo da vida e pelos ensinamentos que podem dar aos mais jovens. Já na visão ocidental, a Senioridade aparece com as ideias de deterioração, perdas ea vasta experiência acumulada em seus anos de vida. Lá a tradição é cuidar bem, glorificar e reverenciar seus idosos, resultado de uma educação milenar de dignidade e respeito. Os japoneses consultam seus anciãos antes de qualquer grande decisão, por considerarem seus conselhos sábios e experientes. Os mais jovens declaram com orgulho os sacrifícios realizados pelos seus idosos em benefício da família, como a iniciação ao trabalho muito cedo com pouca instrução para o sustento e estudo dos filhos, demonstrando sempre alegria, festa e plenitude pela presença do idoso. Na tradição japonesa, ao completar 60 anos, é permitido ao homem o uso de blazer vermelho, pois somente com seis décadas de vida há a liberdade de usar a cor dos deuses. Na sociedade chinesa é comum se encontrar anciãos, com 90/100 anos, fazendo diariamente atividade física nos parques municipais. inutilidade. Infelizmente, o que temos assistido nas sociedades capitalistas, onde os meios de produção devem superar as expectativas, tanto em quantidade quanto em qualidade do que se produz, o idoso pode ser anulado por não atender mais aos padrões sociais impostos.

Na China e no Japão[1], os idosos são tratados com respeito e atenção pela vasta experiência acumulada em seus anos de vida. Lá a tradição é cuidar bem, glorificar e reverenciar seus idosos, resultado de uma educação milenar de dignidade e respeito. Os japoneses consultam seus anciãos antes de qualquer grande decisão, por considerarem seus conselhos sábios e experientes. Os mais jovens declaram com orgulho os sacrifícios realizados pelos seus idosos em benefício da família, como a iniciação ao trabalho muito cedo com pouca instrução para o sustento e estudo dos filhos, demonstrando sempre alegria, festa e plenitude pela presença do idoso. Na tradição japonesa, ao completar 60 anos, é permitido ao homem o uso de blazer vermelho, pois somente com seis décadas de vida há a liberdade de usar a cor dos deuses. Na sociedade chinesa é comum se encontrar anciãos, com 90/100 anos, fazendo diariamente atividade física nos parques municipais.

Existe uma diferença muito grande entre envelhecer em países em desenvolvimento e em países do chamado primeiro mundo, como os países da Europa e os Estados Unidos. Nestes países, as condições econômicas favoráveis, além de elevar a expectativa de vida das pessoas, ainda lhes permite chegar a idade avançada com uma maior capacidade econômica, garantindo não apenas uma vida melhor, mas uma verdadeira força dentro da sua sociedade, pois os idosos formam um grupo numeroso e influente.

Em países como os Estados Unidos é comum ver grandes grupos fazendo turismo, sendo disputados como consumidores, eleitores, cidadãos. O governo também faz sua parte, criando comitês e grupos atuantes para que os idosos sejam efetivamente respeitados, senhores de seus direitos.

Ainda, em algumas sociedades, a Senioridade continua sendo excluída e estigmatizada, acham que o idoso ao perder seu poder como produtor de bens e riquezas e como consumidor, consequentemente perde seu valor social. No engendramento dessa exclusão está um sistema político e econômico que prioriza a força jovem no mercado de trabalho, descartando aqueles considerados “ultrapassados”. São sociedades marcadamente individualistas, exibicionistas e pouco solidárias, que exaltam fortemente a juventude enquanto o envelhecimento é investido de valores negativos, tornando o envelhecer algo indesejável e gerador de sofrimento. Essa tese está em decadência, pois vemos cada vez mais que a maioria dos idosos continua ativa não só no mercado de trabalho, mas como consumidor exigente e em busca de constante atualização.

 

2.2   Culto ao Corpo e à Beleza

A antropologia possui uma longa história de debates sobre o papel central que o corpo possui na cultura, pois nosso corpo e a forma como interagimos com ele, nos define enquanto parte de uma cultura e de uma sociedade e por isso tornam-se tão importantes as suas formas e a maneira como dispomos dele nas nossas relações. Esta aponta ainda, para a enorme significância do corpo na forma como nos apresentamos e representamos socialmente. O corpo diz muito sobre quem somos, definindo também as percepções dos outros sobre nós.

A cultura pós-moderna é definida como cultura do narcisismo e do espetáculo, onde a exigência infinita de “performance” e o “parecer” se sobrepões ao ser. O corpo foi transformado em um objeto de apresentação, do ver e do ser visto que, que chega a causar cegueira da razão. É necessário ressaltar a diferença entre cultuar e cultivar o próprio corpo. Cultuar é a preocupação de como o outro te vê, de estar sempre adequado à moda ou regras impostas pelo social, não se refere em cuidar de si mesmo.  Já cultivar significa cuidar de si mesmo, favorecendo, afirmando seus próprios valores e escolhas.         O importante dessa diferença é que somente aquele que experimenta a sensação de totalidade em seu desenvolvimento psicológico é capaz de apreciar e cuidar de seus próprios “pedaços” sem medo do caos.

O corpo é consumido como imagem bela que se permite vender, por isso é tão             importante ter um corpo belo, jovem e saudável. É necessário vestir as roupas da moda, conhecer e frequentar os lugares da moda. O culto à beleza e a preocupação com os ditames da moda fazem parte do cotidiano, pois em uma sociedade onde o Ter é mais importante do que o Ser, onde estar belo e bem vestido é quase um sinônimo de realização pessoal, sucesso e felicidade, fugir desses padrões é quase uma ameaça. Muitas pessoas são influenciadas pelos mitos e exigências dessa cultura do corpo, da beleza e da juventude, e sofrem com a falta de unidade e integração, vivenciando esses problemas na relação com o próprio corpo como transtornos de autoimagem e autoestima.

O fenômeno envelhecer é natural e inerente a toda espécie, mas tem sido motivo de muita preocupação para muitos, que o evidenciam de uma forma antagônica ao padrão estético imposto, passam a vê-lo como um defeito  que precisa ser disfarçado por meio de múltiplas técnicas que prometem o rejuvenescimento. Preconiza-se o “desejável” (manter-se jovem e belo), que é vendido como antídoto ao “inevitável” (o envelhecer), além da experiência existencial de confronto com o real, tem um peso adicional de caráter cultural[2].

 

2.3   As relações desiguais de gênero

Por que uma mulher de cabelos brancos evoca imagens de velhice e desleixo, enquanto o mesmo traço num homem pode significar desde sensualidade até poder? Não é difícil achar exemplos das relações desiguais de gênero na sociedade moderna[3]. Muitas mulheres pintam seus cabelos no menor sinal de grisalho e mais do que vaidade, isso está ligado a uma busca de adequar-se a um ideal da beleza jovem.

Além disso, está ligado a noções de que as mulheres precisam, bem mais do que os homens, cuidar da aparência e mostrar-se de forma a ressaltar seus atributos físicos. Enquanto elas são julgadas também por sua aparência, homens não são cobrados da mesma forma; Brad Pitt pode ostentar sem medo toques de grisalho, mas o mesmo tornaria sua esposa, Angelina Jolie, inviável como símbolo sexual Esse estereótipo ligado aos ídolos revela como o nosso imaginário é enviesado em termos de gênero. Na mídia, por exemplo, vemos uma série de figuras masculinas que não escondem seu grisalho, como atores famosos e políticos e galãs de novelas grisalhos, beirando os 60 anos, são escalados para personagens cheios de apelo sexual, apesar de aparentarem o dobro (ou até mais!) do que as mocinhas e símbolos sexuais femininos.

Longe de ser uma questão evolutiva, aparentemente universal, os sentidos do envelhecer são sempre parte de um contexto social particular. Tanto histórica quanto culturalmente existem variações e longe de ser um fator limitante ou definidor das nossas identidades, traços corporais são sempre carregados de significado, os quais tentamos também manipular a nosso favor, nessa sociedade cada vez mais ligada em tecnologias de manutenção da juventude.

 

2.4   O Sentimento de Envelhecer

O sentimento de envelhecimento acontece de forma distinta para cada pessoa, deixando algumas profundamente angustiadas, enquanto que outras o encaram de forma tranquila. Um estudo comparativo com mulheres brasileiras e alemãs, na faixa de 50 a 60 anos, realizado pela Doutora em Antropologia Social, Mirian Goldenberg,[4] constatou que existe um abismo entre o poder objetivo que conquistaram e a miséria discursiva das brasileiras entrevistadas, e essa discrepância retrata que no Brasil, a Senioridade é um assunto a ser melhor compreendido do que na Alemanha, o que explica a gama de sacrifícios que muitas brasileiras fazem para parecer mais jovens.

Essas mulheres conquistaram realização profissional, independência econômica, maior escolaridade e liberdade sexual, mas se mostram extremamente preocupadas com o excesso de peso, têm vergonha do corpo, medo da solidão e de envelhecer. Muitas brasileiras disseram que passaram a se sentir invisíveis depois dos 50:

 “Eu sempre fui uma mulher muito paquerada, acostumada a levar cantada na rua. Quando fiz 50, parece que me tornei invisível. Ninguém mais diz nada, um elogio, um olhar, nada. É a coisa que me dá a sensação de ter me tornado velha. Hoje, me chamam de senhora, de tia, me tratam como alguém que não tem mais sensualidade, que não desperta mais desejo. É muito difícil aceitar que os homens me tratem como uma velha, e não como mulher. Na verdade, não acho nem que me tratam como velha, simplesmente me ignoram, me tornei invisível”.

Goldenberg, porém, destaca que alguns indivíduos não permitem que os outros os tornem invisíveis. Muitos nunca serão “um(a) velho(a)”, mas homens e mulheres que envelhecem dando continuidade aos seus projetos existenciais. Continuam buscando a felicidade e o prazer, transgredindo as normas e os tabus existentes, mais livres e visíveis do que nunca, são aqueles que podem ser chamados de ageless, ou “os sem idade”.  E para agradável surpresa da pesquisadora, ela verificou que quanto mais avançava na idade das pesquisadas, mais aspectos positivos apareciam em seus depoimentos sobre a Senioridade. Elas passaram a fazer coisas que sempre desejaram, como dançar, cantar, viajar, passear, namorar, correr, pintar, nadar, estudar etc. Mais importante ainda, deixaram de se preocupar com a opinião dos outros e passaram a priorizar os próprios desejos. Como visto no relato de uma professora aposentada de 74 anos:

“Com a idade eu ganhei duas coisas preciosas: liberdade e maturidade. Eu me sinto muito melhor hoje, ganhei independência, faço o que eu quero, não faço o que não gosto, namoro com quem eu quero, beijo quem eu gosto, faço musculação e pilates, saio, viajo, tomo chopinho, vou à praia, fiz uma tatuagem há três anos e vou fazer outra... é o melhor momento de toda a minha vida”.

 No caso das mulheres brasileiras, em particular, “a última idade” pode representar uma liberação, já que foram submetidas durante toda a vida ao marido e dedicadas aos filhos podem enfim preocupar-se consigo mesmas. Ao entrevistar brasileiras de mais de 50 anos, encontrou casadas ou separadas, com filhos ou netos, com namorados ou sozinhas, trabalhando ou aposentadas, e as mulheres lhe disseram categoricamente:

“É a primeira vez na vida que me sinto realmente livre. Antes, vivia para o marido, os filhos, a família. Já cumpri todas as minhas obrigações sociais e familiares. Agora, posso cuidar de mim, fazer o que realmente gosto, não dar mais satisfação para ninguém. Posso ser eu mesma pela primeira vez na minha vida”.

 A conclusão da pesquisa foi que as alemãs se revelam muito mais seguras, tanto objetiva quanto subjetivamente, mais confortáveis com o envelhecimento, enfatizam a riqueza dessa fase em termos de realizações profissionais, intelectuais e afetivas e aos 60 anos elas se sentem no auge da vida, entusiasmadas com projetos profissionais, viagens, programas culturais etc.  E as brasileiras, enquanto as mais novas, antes de 50 anos, sofrem pela decadência do corpo, a sensação de invisibilidade, medo de envelhecer e da solidão; as mais velhas estão aprendendo a viver muito melhor, com felicidade, prazer e liberdade; dizem que existem muitos ganhos com o envelhecimento, e não só perdas.

Essas brasileiras conseguiram, finalmente na Senioridade, se libertar da ditadura da aparência e podem agora se preocupar mais com saúde, qualidade de vida e bem-estar. Elas tiraram o foco do olhar dos outros e passaram a priorizar o próprio prazer, desejos e vontades, uma verdadeira libertação. A chave do envelhecer bem, parece ser a mudança de foco, de deixar de existir para os outros e existir para si mesma, ser “eu mesma” e feliz!

 

2.5   Terceiro Ato e a Escadaria

Envelhecer não é fácil, mas pode ser prazeroso. É isso que a atriz Jane Fonda, de 77 anos, prega em seu último livro[5], onde diz que houve muitas revoluções no último século, mas, talvez, nenhuma tão significativa quanto a Revolução da Longevidade.

Ela explica que estamos vivendo hoje, em média, 34 anos a mais do que nossos bisavôs e isto é um segundo período de vida adulta que foi adicionado à nossa expectativa de vida. Porém, ainda vivemos com o velho paradigma da idade como um ARCO, onde pela metáfora a pessoa nasce, atinge o auge na meia idade e declina. Ela diz que atualmente, muitas pessoas – filósofos, artistas, médicos, cientistas – estão lançando um novo olhar para o que ela chama de “Terceiro Ato”, as três últimas décadas de vida, percebido como um estágio  de desenvolvimento da vida com sua própria significância – tão diferente da idade madura quanto da adolescência e da infância. E a Metáfora mais adequada seria uma Escadaria, que levaria à ascensão, para o topo do  Espírito Humano, trazendo sabedoria, completude e autenticidade.

Jane Fonda atesta, em seu livro que, atualmente a maioria das pessoas acima de 50 anos sente-se melhor, menos estressada, menos hostil, menos ansiosa, e os estudos evidenciam que “Somos Mais Felizes” nesse Terceiro Ato. Comenta que apesar da lei universal, a entropia, significar que tudo neste mundo terá um declínio e decadência (arco), há uma única exceção para essa lei, que é o Espírito Humano, que pode continuar a evoluir em direção ato topo (Escadaria).  Dá como exemplo  o artigo que leu no New York Times sobre um homem chamado  Neil Selinger , 57 anos, um advogado aposentado que virou escritor e depois de dois anos foi diagnosticado  com esclerose amiotrófica lateral, comumente conhecida como  a doença de Lou Gehrig, uma doença terrível pois devasta o corpo apesar de manter a mente intacta,  e em seu artigo  o Sr. Selinger escreveu o seguinte parágrafo para descrever o que estava acontecendo  com ele: “A medida que meus músculos enfraqueciam, minha escrita se tornava mais forte,  à medida que lentamente perdia minha fala, minha voz encolhia, eu crescia tanto que finalmente comecei  a encontrar um mim mesmo”.  Neil Selinger, para ela, é a personificação da subida da Escadaria, à ascensão ao topo.

A atriz e escritora salienta que todos nós nascemos com espirito, que às vezes ele fica soterrado sob os desafios da vida – a violência, o abuso, a negligência e talvez sintamos que muitos de nossos relacionamentos não tenham sido concluídos e, portanto, possamos nos sentir inacabados.

Talvez o propósito central de do 3º ATO seja terminar de acabar a nós próprios, seja voltar atrás e tentar se apropriar e mudar nossa relação com o passado. Ela explica que as pesquisas cognitivas mostram que quando somos capazes de fazer isso, ocorre uma manifestação neurológica – criam-se caminhos neurais no cérebro. Que é preciso compreender que se tivermos ao longo do tempo reagido negativamente a eventos e pessoas do passado, estabeleceram-se caminhos neurais, por meio de sinais químicos e elétricos, que foram enviados através do cérebro. E com o passar do tempo, estes caminhos neurais tornaram-se definitivos, tornaram-se a norma, mesmo que isso nos seja prejudicial, nos causando ansiedade e stress. (no Coaching chamamos esses padrões aprendidos, que se tornaram normas, de crenças limitantes, que na maioria das vezes são inconscientes para a pessoa). Contudo, se pudermos voltar atrás, rever e alterar a nossa relação com pessoas e eventos do passado, os caminhos neurais podem mudar. E se pudermos manter os sentimentos mais positivos em relação ao passado, isso se torna a nova norma, formando novos caminhos neurais (novas crenças positivas) É como ajustar um termostato.

Jane salienta que não é ter experiências que nos torna sábios, é o refletir sobre as experiências que tivemos que nos torna sábios, e isso nos ajuda a tornarmos ompletos, traz sabedoria e autenticidade. Ajuda-nos a tornarmo-nos aquilo que poderíamos ter sido e muito frequentemente, muitas das mulheres, se não a maioria, quando chega à puberdade, se preocupam em serem aceitas e populares, para agradar acabam se tornando objetos das vidas de outras pessoas.

No 3º Ato, pode ser possível completar o ciclo, voltando ao ponto de partida e fazendo isso pela primeira vez. E se puderem fazer isso, não será por si próprias, pois as mulheres mais velhas são o maior grupo demográfico do mundo, e se puderem voltar atrás e se redefinirem, tornando-se completas, isso gerará uma mudança cultural no mundo e dará um exemplo às gerações mais jovens, de forma que possam repensar o seu próprio tempo de vida. Trazendo esta sábia mensagem para à realidade brasileira devemos captar a lição e transmiti-la aos mais jovens, pois qualquer forma de envelhecer não é fácil, ainda mais em uma sociedade que negligencia, ou ignora, a Senioridade, esquecendo-se que, respeitar o idoso, é saber respeitar o dia de amanhã que nos aguarda.

 

2.6     Visão positiva da Senioridade

Encarar a Senioridade de forma positiva pode ser uma maneira eficaz de melhorar a saúde. De acordo com o Estudo[6], feito na Universidade Yale, nos Estados Unidos, que acompanhou 598 pessoas, com mais de 70 anos, ao longo de 11 anos, essa atitude eleva as chances de um idoso readquirir a capacidade de realizar sozinho atividades do cotidiano, como tomar banho ou andar, e também retarda a perda dessas habilidades, problemas que ocorrem normalmente com o envelhecimento. Quando a pesquisa começou, nenhum participante tinha dificuldade em realizar tarefas do cotidiano. No entanto, durante o período em que o estudo foi realizado, todos eles apresentaram, em algum momento, incapacidade em relação a essas tarefas.

Durante os anos do estudo, os pesquisadores avaliaram a saúde e também a visão de cada um em relação à Senioridade, pedindo que esses indivíduos falassem a primeira frase ou as primeiras cinco palavras que lhes viessem à mente quando pensavam em Senioridade. As incapacidades levadas em conta no estudo foram aquelas que impediam que os idosos realizassem, sozinhos, tarefas do dia-a-dia, como tomar banho, vestir-se e andar. De acordo com os pesquisadores, os idosos com o ponto de visa mais otimista em relação à Senioridade apresentaram até 44% mais chances de se recuperar completamente de alguma incapacidade do que os participantes mais pessimistas. Ou seja, eles conseguiram voltar a realizar atividades cotidianas sem a de ajuda de alguém e também foram mais capazes de atenuar a gravidade da incapacidade e, além disso, apresentaram um declínio mais lento dessas habilidades. A pesquisa concluiu que o ponto de vista de uma pessoa em relação à Senioridade pode fazer com que ela seja um idoso mais independente e saudável.  Eles também perderam essa capacidade de forma mais lenta do que idosos que são pessimistas em relação à Senioridade.  Por isso a importância de promover o otimismo entre pessoas que estão entrando na Senioridade.

 

2.7     Os novos comportamentos

O Brasil já foi um país de jovens. Mudou e está maduro, caminhando depressa para o envelhecimento, hoje são 26,3 milhões de idosos que representam 13% da população. Provavelmente, nunca foi tão difícil como hoje caracterizar uma pessoa idosa, pois apesar de ainda ser retratada como uma pessoa em decadência, curvada e dependente de uma bengala e da ajuda de terceiros, esta não é mais a imagem da nova geração de idosos, que deixaram de lado as convenções há muito tempo.  Os antigos clichês não se aplicam mais, os senhores aposentados de pijama e as senhorinhas grisalhas que passavam os dias a fazer tricô desapareceram aos poucos e dão lugar a figuras muito diferentes e vários são os indicativos dessa nova realidade, como mostraremos nos próximos itens desse tópico. Mas uma coisa é certa, sem volta e de repercussão mundial: a grande maioria chega hoje aos 60 anos, em plenas condições de saúde e cognitivas, pode e deve ter ainda muito tempo produtivo pela frente, com qualidade, se valer-se da sabedoria construída ao longo da vida.

 

2.7.1   Prática de atividade física

Todos os órgãos internacionais de saúde sugerem atividade física de moderada a intensa para o idoso. A diferença de um idoso fisicamente ativo para um sedentário é gritante e por isso a atividade física deve ser estimulada, com exercícios prescritos de acordo com a condição de cada idoso e respeitando as suas preferências: caminhada, corrida, natação, hidroginástica, musculação na academia, ou exercícios ao ar livre ou até mesmo no próprio domicílio, com regularidade, pois todos os estudos médicos apontam que a prática regular de exercícios físicos vem acompanhada de benefícios para a saúde como um todo.

E felizmente, a nível mundial, temos assistido cada vez mais idosos preocupados com a saúde e querendo uma boa qualidade de vida; seguindo à risca uma rotina de atividades físicas e os resultados melhorando dos problemas de pressão arterial, falta de força, equilíbrio, nas articulações, nos ossos, dores na coluna, no joelho e muitos têm se livrado de fazer cirurgias.

Além do reconhecimento dos próprios idosos que fazer atividades físicas regularmente, além de melhorarem sua saúde, melhoram seu sono, sua alimentação, sua autoestima e sensação de bem estar, seu convívio social e sua vontade de viver.

Um fato interessante de observarmos é o crescimento de idosos nas corridas, em geral, são subdivididas em quatro grupos, que vão dos 60 a 64, 65 a 69, 70 a 79 e acima dos 80. Por conta desse crescimento de adeptos, as contusões e lesões também vêm aumentando, muito mais por falta de um treinamento adequado, uma das soluções, é a prática da musculação conjugada com o treinamento da corrida.

Um estudo realizado pela Stanford University Medical Center, nos Estados Unidos, sugere que correr com frequência pode retardar os efeitos do envelhecimento[7]. A pesquisa analisou 500 idosos com mais de 50 anos que tinham o hábito de correr, durante um período de 20 anos e comparou a saúde e bem-estar físico desses participantes com um grupo similar de não-corredores.

A pesquisa, publicada na revista científica Archives of Internal Medicine, relatou que os pesquisadores, depois de 19anos, identificaram que 34% dos idosos que não corriam haviam morrido, comparados com apenas 15% entre os que corriam com frequência, Observou ainda que ambos os grupos passaram a ter mais deficiências físicas com o passar dos anos, mas o início destas deficiências começou 16 anos mais tarde para aqueles que praticavam a corrida.A diferença entre a saúde dos idosos corredores e não-corredores foi observada mesmo depois que os participantes passaram dos 90 anos de idade e além de diminuir o batimento cardíaco e as mortes relacionadas com problemas arteriais, a prática da corrida também foi associada com uma redução no número de mortes prematuras causadas por doenças neurológicas, câncer e infecções.

E a mensagem de incentivo deixada pelo estudo é: “Se você precisa escolher uma coisa para ficar mais saudável enquanto envelhece, esta coisa é fazer exercícios aeróbicos, pois os benefícios são reais e comprovados”.

 

2.7.2   Os idosos internautas

 Nasceu, ou melhor, renasceu, uma geração disposta a não ter fronteiras e   a derrubar estereótipos e atualmente os idosos internautas compõem o grupo que mais cresce na internet[8] Estão nas redes sociais, trocam e-mails, mensagens, fazem pesquisas, pagam contas, namoram, enfim rodam o mundo com um só clique e estão mais jovens e felizes, alguns até mais próximos da família e amigos.

A facilidade de acesso aos itens de informática pode ser uma das justificativas para o aumento do número de idosos usando computadores, tablets e smartphones para entrar na rede virtual. Outro fator que contribuiu para aumentar o uso da internet entre os mais velhos é o desejo do idoso de se integrar ao modo de vida da sociedade atual, e isso acontece porque ele passa a acreditar mais em suas potencialidades, inclusive de aprendizado, e na capacidade de interagir com a tecnologia.

Atualmente, os brasileiros com 50 anos ou mais encontram-se no grupo que apresenta as taxas mais aceleradas de inclusão digital, a evolução  no número de conectados é gigantesca: entre 2005 e 2011, o salto  foi de 222,3%, de   2,514 milhões para 8,101 milhões, tornando-os 18,4% de todos os internautas do  país, segundo os dados são da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, mas vale lembrar que  a população de 50 anos ou mais era de 39 milhões, o que deixa espaço para  um crescimento muito maior.

Além da Pnad, diferentes pesquisas comprovam o espantoso crescimento na conexão de não nativos digitais. A última TIC Domicílios do Comitê Gestor da Internet (CGI), que mede o uso das tecnologias da informação e comunicação nas residências brasileiras, indica que o país ganhou 2,8 milhões de novos usuários de internet com 45 anos ou mais em apenas um ano, entre 2011 e 2012. Desses, 1,7 milhão são novos usuários de redes sociais — um percentual de crescimento de 17% no período.

De acordo com uma pesquisa da Telehelp[9], que entrevistou 568 pessoas em todo o Brasil com idade acima de 60 anos, no mês de setembro de 2014, 66% dos idosos brasileiros usam regularmente a internet e 45% afirmaram fazer compras online regularmente. O uso da web é maior entre os entrevistados na faixa dos 60 anos. 85% dos entrevistados com mais de 90 anos disseram não saber usar a internet, número que é de 59% na faixa dos 80 anos de idade e de 19% na faixa de 70 anos. Apenas 2% de quem tem 60 anos disse não saber usar a internet. O Facebook é a rede favorita dos idosos, com 95% dos entrevistados dizendo ter conta e fazer uso do site. O Linkedin aparece em segundo, com 23% e o Instagram em terceiro com 19%.

Já o uso de celulares faz parte da rotina de 97% dos idosos na faixa dos 60 anos, número que diminui para 87% na faixa dos 70 anos, 70% na de 80 anos e 25% na de 90 anos. O principal motivo para não ter um celular é não saber usar o dispositivo, o que foi respondido por 39% dos entrevistados.

 Os especialistas estão otimistas e apontam que a cada clique os idosos estão beneficiando a mente e a alma, já que a web pode ser uma das armas para evitar o mal de Alzheimer e a solidão, um dos maiores fatores da depressão nos idosos. E destacam que o ganho cognitivo com a experiência envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, imaginação, pensamento e linguagem. A internet e a tecnologia facilitam ainda a obtenção de conhecimentos que ajudam na interação com pessoas mais jovens, geralmente mais inseridas no ambiente virtual, o que se torna uma via para que o idoso tenha acesso ao que hoje o mundo oferece, de se sentir dentro de uma realidade tão diferente daquela em que vivia na juventude.

A oferta maior de cursos, especialmente, para os idosos também sinaliza que o contato dos mais velhos com o mundo virtual só tende a crescer, pois a maioria dos idosos alega que a possibilidade de comunicar-se com familiares distantes é uma razão forte pela qual ingressam em cursos de informática ou buscam, por si sós, aprender a lidar com a web e quando percebem que podem usufruir desses benefícios, o que ajuda a quebrar as resistências.

Lá fora, a tendência se repete. Em 2013, um levantamento do Centro de Pesquisas Pew, nos EUA, indicou que a faixa de usuários com mais de 65 anos foi a que mais teve crescimento nas redes sociais, um aumento de 10% em só um ano, e 45% desse público já era usuário contumaz das redes sociais, que são uma espécie de porta de entrada para o ambiente digital, por serem mais fáceis de usar e por isso são tão utilizadas.

 Essa movimentação social dos idosos na rede despertou também um novo olhar de algumas empresas que já os veem como público alvo. A gigante Apple já oferece em suas lojas aulas do tipo passo a passo para ensinar desde como ligar os aparelhos até como navegar e usar os milhares de aplicativos disponíveis

A pesquisa – Adults’ Media Use and Attitudes Report – traz evidências do uso de mídia entre adultos britânicos, e cobre TV, rádio, mobile, games e Internet, estudo divulgado pela Ofcom[10], a agência reguladora   de telecomunicação do Reino Unido, aponta que o uso de Internet entre  os   mais velhos cresceu na região, graças principalmente aos tablets. De acordo com o estudo, houve crescimento em diversas atividades online, particularmente entre atividades de entretenimento e comunicação.

No Reino Unido, houve um aumento de 9% entre as pessoas com mais de 65 anos (42% contra 33% em 2012), que estão conectados com algum tipo de dispositivo em algum lugar. Já o número dos idosos, na faixa de 65 a 74 anos, que usam tablets para ficar on line, triplicou, indo de 5% para 17%. Dos que usam smartphone, aqueles com idade entre 65 e 74 anos estão quase 2 vezes mais propensos a usar um smartphone agora do que 2012 (20% contra 12%).

 Uma vez vencidos os obstáculos iniciais, não há dúvida sobre os benefícios que a tecnologia proporciona, uma ferramenta fantástica para a comunicação e quando usada pelos mais velhos, é notável o poder que ela tem de aumentar a sua inclusão social e reduzir o seu isolamento. Além disso, é uma fonte inesgotável de informações e serviços que podem facilitar a vida dessas pessoas, levando conveniências e benefícios ao dia a dia e à saúde.

 

2.7.3    O papel das mulheres

Dada a menor mortalidade feminina, as mulheres predominam entre a população idosa.  A viuvez é o estado conjugal predominante entre as mulheres idosas e a proporção de viúvas cresce com a idade, ao mesmo tempo em que decresce a de casadas. As mulheres predominam também entre os solteiros.

Os diferenciais por sexo quanto ao estado conjugal são devidos, de um lado, à maior longevidade das mulheres e, por outro, a normas sociais e culturais prevalecentes em nossa sociedade que levam os homens a se casarem com mulheres mais jovens do que eles. Além disso, o novo casamento para viúvos idosos é maior do que para viúvas. A viuvez tem sido apontada, em geral, como sinônimo de solidão, mas a morte do cônjuge pode ser uma tragédia ou uma libertação e para as idosas atuais, a viuvez tem sido aprontada como sinônimo de   autonomia e liberdade. Estas, na sua juventude e vida adulta, não tiveram liberdade, dadas as relações de gênero prevalecentes.

Como é fato reconhecido, as mulheres vivem e envelhecem de forma diferenciada dos homens, assim com as mudanças das cabeças das mulheres, mudaram as estatísticas. As mudanças ocorridas com relação à posição das mulheres na família deram-se pelo aumento na proporção das mulheres  chefes de família e pela redução na proporção de mulheres vivendo na casa de filhos e/ou na casa de outros parentes. Dessa forma, a sua redução e o crescimento da proporção de chefes podem estar indicando uma redução da dependência sobre a família. Essa mudança deve também estar associada à ampliação da cobertura dos benefícios da Seguridade Social, bem como à melhoria das condições de saúde.

É crescente a proporção de idosos vivendo sozinhos, tanto homens como mulheres. As mulheres idosas apresentam, em geral, uma tendência maior  a viverem sozinhas do que os homens e a proporção de mulheres que vive só cresce com a idade. É mais alta entre as mulheres separadas, seguidas das viúvas, e no caso brasileiros, os esperados “ninhos vazios”, que caracterizam os arranjos familiares da população idosa, estão se enchendo (ou não   se esvaziando) pelos filhos e netos, e ser mais expressivo em famílias chefiadas por idosas.

No Brasil, a melhoria das condições de vida experimentadas pelas idosas está associada à Seguridade Social, a maioria dos benefícios pagos às mulheres são da previdência rural, o que, na prática, significa benefícios não contributivos. Outra parte são as pensões por viuvez, o que, por sua vez, depende do seu estado conjugal e não da sua condição de trabalho. Em proporção pequena, mas não desprezível, colocam-se os benefícios assistenciais. E boa parte são consequência das aposentadorias.

Tradicionalmente, a família brasileira é responsável pela intermediação de parte da relação entre o mercado e os indivíduos, bem como entre o Estado e os indivíduos ao redistribuir os rendimentos e benefícios entre seus membros.   Nota-se hoje em dia, que muitas famílias estão se organizando para fazer face ao envelhecimento populacional, à maior dependência econômica dos jovens, pois tem havido um crescimento na proporção de crianças menores de catorze anos residindo com mulheres idosas. Além de receberem os filhos em casa, há evidências de que as mulheres idosas contribuem no sustendo de seus filhos e netos.  As mulheres também são as “preferidas” para residir junto com filhos e muitas vezes a idosa faz parte como estratégia de inferência do suporte afetivo e material que ela tem e dado ao seu papel doméstico e o fato de compartilhar o espaço físico, possibilita também o compartilhamento da renda, dos cuidados domésticos e médicos, das crianças, do transporte etc. Ou seja, acredita-se que os arranjos familiares afetam e são afetados pelas próprias condições de vida.

Assim, a mudança nos papéis das mulheres está interferindo na dinâmica familiar e da sociedade, pois elas passaram a se casar ou a estabelecer uma relação estável mais tarde, por volta dos 28 anos. Querem investir na sua carreira. Querem primeiro ganhar uma estabilidade para depois pensarem  na maternidade. Quem tem filhos, tem poucos, pela média menos de dois filhos. Algumas decidiram se manter donas de suas vidas e fizeram questão de não se casar e se dizem solteiras porém não as solteironas recalcadas e mal amadas de antigamente. Outras perderam o companheiro em algum momento da vida, mas não necessariamente entregaram os pontos quando a solidão bateu à porta. Algumas moram sozinhas, outras descobriram a paixão por viajar ou arrumaram soluções para driblar os cômodos da casa vazios: foram para flats ou, conscientes de suas fragilidades, contrataram um cuidador.

 

2.7.4    Opção por morar sozinho

 O número de idosos que têm optado por viver sozinhos é cada vez maior e mesmo longe dos filhos e netos, eles encontram conforto e segurança[11].  As pesquisas têm mostrado que a universalização da Seguridade Social, as melhorias nas condições de saúde e outros avanços tecnológicos, tais como nos meios de comunicação, entre outros, podem estar sugerindo que viver só, para os idosos, representa uma forma mais inovadora e bem-sucedida de envelhecimento do que abandono, descaso e/ou solidão.

Viver só pode ser um estágio temporário do ciclo de vida e/ou pode estar refletindo preferências.  Não existem barreiras geográficas no intercâmbio de ajuda material dos filhos para com os pais idosos e vice-versa. Na verdade, a proximidade geográfica nem sempre pode ser traduzida por uma maior frequência de contato familiar.

Diante de um cenário onde o brasileiro está vivendo mais, com saúde e vigor, trabalham, mantêm a agenda ocupada, estão mais atentos à saúde, muitos idosos insistem em manter a independência e se recusam a morar com os filhos. O argumento mais utilizado pelos idosos que é que não querem perder suas referências, seu espaço e poder de decisão, querem viver no seu cantinho, e isso não deixa de ser um indicador da competência desse grupo da população cada vez mais longevo, e também mais autônomo, capaz e independente

O IBGE divulgou, em novembro de 2013, que existem no Brasil 2.816.470 idosos morando sozinhos[12], cuidando da própria vida e pouco dispostos a abrir mão da liberdade e da independência em nome de uma vida ao lado de familiares ou em instituições de longas permanência, os antigos asilos. Outro dado importante do estudo, é o que mostra que 27% dos idosos brasileiros estão no mercado de trabalho.

A convivência com os filhos hoje não é mais como em tempos passados. As mulheres, cuidadoras natas, estão inseridas no mercado de trabalho e já não têm mais tanta disponibilidade para dar a atenção necessária ao familiar, mas ainda muitas famílias pressionam o idoso para que ele saia da própria casa e passe a morar com um parente, um cuidador ou em uma instituição, justamente aquele momento em que julgam que o idoso já não consegue mais cuidar de si, esteja esse julgamento certo ou não.  Por isso é fundamental ao idoso ter feito um planejamento, ter encarado o futuro de frente, organizar uma Senioridade saudável e segura ainda é a melhor forma de não se ver obrigado a aceitar decisões tomadas pelos outros.

Dados do IBGE mostraram que as mulheres são a maior fatia entre os idosos independentes e autônomos: 65% dos que vivem só são mulheres.  Mas mesmo entre eles há sinais de maior independência, o percentual de homens que vivem sozinhos passou para 35%, eles que sempre foram acostumados a depender, primeiro da mãe, e depois da esposa ou mulheres com quem viveram, e que agora vem experimentando uma nova fase com autonomia e independência.[13]  A maioria deles ficou viúvo e antes recebiam tudo pronto das mãos das esposas, mas boa parte deles fala que não se assusta com as atividades domésticas e estão cheios de planos para o futuro, fazem caminhadas diariamente ou frequentam acadêmicas, participam de comunidades de idosos, saem para dançar, namoram, viajam em grupo, enfim trabalharam a vida toda e agora querem aproveitar a vida.

Para os especialistas explicam que quando uma pessoa experimenta à Senioridade com tanta autonomia e independência, há um envelhecimento  bem-sucedido. Esta nova geração de pessoas está chegando à idade  mais avançada e capazes de gerirem suas vidas, são idosos que determinam o que fazer e comer, além de como gastar seu dinheiro e devem ser respeitados pelos filhos em sua vontade de permanecer morando só, cabendo a eles o papel do suporte, arrumando alternativas para facilitar a rotina.  Mas como saber se aquele idoso pode ou não se virar sozinho?

O geriatra é o profissional capaz de avaliar se o idoso tem capacidade de se auto administrar e se está em plena atividade, ajudando a família nessa decisão. Mas os especialistas defendem que também é preciso levar em consideração o desejo do idoso, já que ele precisa se sentir feliz com sua condição.

 

2.7.5   Sexualidade Ativa

É comum na nossa sociedade a ideia que de as pessoas mais velhas não amam da mesma forma que os jovens, como se fosse reservado aos idosos apenas um amor assexuado. Na verdade, o amor na Senioridade é da mesma forma e tão intenso, só que vivido com mais experiência, pois o amor, a paixão e a sexualidade não estão condicionados apenas ao nosso corpo físico, nem atrelados exclusivamente à idade biológica. Estão inscritos também nos universos que tratam da cultura, da história e de nossa subjetividade. Não é porque a idade já ultrapassou uma determinada marca, que as pessoas não irão se apaixonar de novo, ou apaixonados deixarão esse sentimento de lado em função de normas ou regras sociais[14]

No mundo em que vivemos, é destinado aos jovens a paixão, a   curtição, a sensualidade, o amor, a sexualidade e a reprodução da espécie; para os mais velhos, fica imposto o comportamento de cuidados com a saúde e doenças, compensação das perdas, o cuidado com os netos, o amor pela família e à espera pela morte. Mas os idosos não devem aprisionar os desejos, os sentimentos, as emoções, os prazeres, pois esses fazem parte de toda a vida.  O padrão estético de associar sexualidade a corpos jovens é errôneo; como se o amor e a sexualidade não pudessem ser associados às imagens de corpos envelhecidos, somente ao belo e ao novo. Esta estigmatização deixa os mais velhos desprovidos de expressar seu amor, como se fosse algo feio e reprovável.

Para as mulheres, a situação é mais complicada. Após a menopausa, o que inviabiliza a concepção, a vida em si, muitas mulheres acreditam que a função sexual deve ser aposentada, pois acham que perderam a capacidade de atrair o parceiro, boa parte reclama que passou a ser “invisível” aos olhos dos homens. Do mesmo modo que muitos homens acreditam que não são mais capazes de obter um bom desempenho sexual após certa idade e temem os efeitos que a idade está trazendo ao seu físico, mas se o envelhecimento tem um efeito negativo sobre a integridade do sistema nervoso que modula a excitação, pode bem ocorrer mudanças comportamentais e subjetivas na experiência da emoção na Senioridade.

O surgimento do famoso medicamento azul para disfunção erétil, em 1998, provocou uma nova revolução sexual – essa repleta de possibilidades para os integrantes da Senioridade. O medicamento pegou muitos casais de surpresa.  Vários deles não praticavam o sexo há um bom tempo. Com a novidade, os homens sentiram-se dispostos a procurar por suas mulheres novamente, que nem sempre estavam preparadas para recomeçar uma vida sexual ativa, mas que na maioria dos casos foi facilmente resolvida com uma ida ao ginecologista.

A AIDS ainda é um desafio para o campo das ciências da saúde e com os idosos vivendo mais e melhor e a disponibilidade de medicamentos que melhoram o desempenho sexual, principalmente dos homens, as pessoas mais idosas sentiram-se mais seguras em estabelecer relações amorosas.  Muitos idosos, de ambos os sexos, que por estarem sem parceiro sexual fixo, depois da viuvez, separação, ou por ainda serem solteiros costumam namorar e ter parceiros sexuais ocasionais, o que evidentemente é normal, pois mesmo que os idosos tenham suas limitações; a sexualidade não pode ser esquecida e levada a um segundo plano em sua existência; tanto o homem como a mulher podem ter prazer sexual até a idade avançada.  O problema é que durante os primeiros 20 anos de enfrentamento da doença, as propagandas de prevenção às DST`s (Doenças Sexualmente Transmissíveis) enfatizavam jovens e pessoas em idade reprodutiva, contribuindo para a formação de crenças equivocadas entre os idosos, como a crença de que não são vulneráveis ao HIV.

No entanto, foi expressivo o aumento dos casos diagnosticados nessa população, provavelmente devido à resistência em utilizar o preservativo, seja por receio de perder a ereção, seja por não saberem utilizá-lo ou mesmo por acreditarem que a proteção só é necessária nas relações extraconjugais. Há que se considerar, ainda, que essas pessoas acima de 50 anos, não iniciaram sua vivência sexual, quando mais jovem, com o uso do preservativo, o que dificulta o seu uso contínuo, deixando-os mais vulneráveis a adquirir DST`s.   Em 2009, ocorreu um avanço neste sentido, uma vez que as campanhas de prevenção à AIDS promovidas pelo Ministério da Saúde tiveram por foco as pessoas acima de 50 anos. Se a sexualidade contribui para a preservação da saúde física e mental, não podemos deixar de vivenciar aquilo que nos faz bem, portanto, na Senioridade o amor e sexo continuam bem vindos.

 

2.7.6      Participação na política

Os dados da pesquisa internacional World Values Survey (WVS) foram usados para verificar, comparativamente a outros grupos de idade, os valores sociais e políticos dos idosos, revelando diversos aspectos de sua inserção social.[15] Também se realizou uma abordagem comparativa entre os três países, ressaltando as semelhanças e diferenças na abordagem do tema em países com características tão distintas quanto Brasil, Espanha e Estados Unidos O aspecto aqui abordado diz respeito aos valores políticos.

Nos três países, os resultados indicaram uma queda no interesse pela política ao longo do tempo. Em outra questão, foi pedido que as pessoas dissessem o quanto a política é importante. Os percentuais dos que afirmaram que política é muito importante também caíram ao longo do tempo nos três países. Na comparação entre os grupos de idade, no Brasil e na Espanha o percentual caiu com o avanço da idade, ou seja, os mais velhos atribuem menos importância à política, mas nos Estados Unidos, o resultado foi ao contrário: quanto maior idade, maior importância se atribui à política.

Outro dado sobre atitude em relação à política foi a valorização da democracia. No Brasil e os Estados Unidos, a importância percebida da democracia cresceu com a idade. Os idosos valorizavam mais fortemente a democracia, apesar de em todos os grupos de idade as médias terem sido altas.  Nos Estados Unidos, a partir de 60 anos se valoriza mais a democracia do que as faixas de idade mais novas. Assim, a democracia é um valor mais forte entre os mais velhos, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

O estudo da participação efetiva foi feito verificando o percentual de membros ativos de partidos políticos. A participação ativa na política é sistematicamente baixa. A Espanha teve os menores percentuais e no Brasil os percentuais ficaram estáveis por grupos de idade. A maior participação como membro ativo de partido político ocorreu nos Estados Unidos.

Portanto, em termos de atitudes em relação à política, os idosos não apresentam grande diferença em relação aos grupos mais jovens. Em alguns casos os idosos tiveram resultados até mais favoráveis do que os mais jovens, na valorização da política e da democracia e na expectativa de ação do Estado para garantir boas condições de vida e no grau um pouco mais alto de participação ativa em partidos políticos.

Nos Estados Unidos já é comprovada a grande participação dos idosos na política americana. Os que têm mais de 65 anos de idade, votam em maior número se comparados a eleitores de outas faixas etárias e a força dos idosos como grupo de pressão está aumentando.

A maior organização nacional que representa os idosos é a Associação Americana de Pessoas aposentadas (AARP) uma organização sem fins lucrativos, para as pessoas com 50 anos ou mais, com 40 milhões de membros, não faz contribuições partidárias, mas é considerada um dos mais importantes grupos de pressão dos EUA. Os pensionistas também se transformaram numa poderosa força política, especialmente em estados considerados cruciais, como a Flórida.

No Brasil, os próprios dados do Tribunal Superior Eleitoral – TSE mostram que a população de eleitores idosos (com mais de 60 anos) aumentou em 20% nos últimos quatro anos[16].

Em 2010, os eleitores com 60 anos ou mais eram 20.769.458 (15,29%). Em 2014, 24.297.096 (17,01%) idosos estão em condições de votar, o que evidencia que mesmo sem a obrigatoriedade do voto depois dos 70 anos, os idosos fazem questão de comparecer às urnas. A maioria dos idosos viveu no período da ditadura, viu as mulheres passaram a ter direito a voto, testemunhou a queda de um presidente por força de um impeachment, viu os jovens a partir de 16 anos participarem do pleito e assistiu a primeira mulher a ser eleita chefe do país, e não abre mão do direito de escolher os seus representantes no Executivo e no Legislativo.

Apesar da sucinta pesquisa feita sobre o tema, o que nos pareceu é que: independente do país que se analise as estatísticas da participação da população, com mais de 50 anos, na política, independente do voto ser obrigatório ou facultativo, percebe-se que cada vez que mais esse grupo tem intensa atuação nas decisões importantes de seus grupos sociais, especialmente nos destinos políticos.

 

2.7.7    Consumidores exigentes

Uma pesquisa inédita realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal de educação financeira ‘Meu Bolso Feliz’, com pessoas acima de 60 anos, nas 27 capitais, revela que o consumidor brasileiro da Senioridade tem aumentado o seu potencial de consumo. De acordo com o levantamento, que foi realizado pessoalmente, os idosos têm mudado suas prioridades de consumo com o passar do tempo e hoje, 41% deles afirmam gastar mais com produtos que desejam do que com itens relacionados às necessidades básicas da casa[17].

Embora representem um nicho promissor – já que a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que o País seja o sexto em número de idosos em 2025, quando deve chegar a 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o mercado brasileiro parece não estar plenamente preparado para atender às demandas desses consumidores. Pelo menos 45% dos entrevistados afirmaram enfrentar dificuldades para encontrar produtos destinados ao público de sua idade. Essa impressão é mais notada, especificamente, pelas mulheres (47%) e pelas pessoas entre 70 e 75 anos (51%). Entre os produtos que esses consumidores mais sentem falta estão roupas (20%), celulares com letras e tecladas maiores (12%), locais que sejam frequentados por pessoas da mesma idade (9%), turismo exclusivo (7%) e produtos de beleza (3%).

Admitir o fato de se ter chegado à Senioridade não parece ser um problema para os consumidores entrevistados: 83% da amostra acredita pertencer a este grupo. Aproveitar a vida é considerado por seis em cada dez entrevistados (66%) como a grande prioridade de suas vidas no atual momento. Nesse mesmo sentido, para quase metade (49%) aproveitar os momentos consumindo é mais importante do que poupar. Mas ao mesmo tempo em que estão consumindo mais, os consumidores brasileiros da Senioridade têm demonstrado um perfil mais exigente em relação aos produtos que estão adquirindo. Exemplo disso é que mais da metade (52%) da amostra alega dar mais valor à qualidade dos produtos, mesmo que seja preciso pagar mais caro por isso. Outra constatação é que quase um quarto (23%) dos idosos incorporou a experiência de ir às compras como uma atividade de lazer do seu dia a dia.

Seis em cada dez (66%) entrevistados da Senioridade disseram que a vida financeira que levam atualmente é melhor do que há alguns anos, 72% da amostra considera sua situação financeira estável ou boa. Em relação à fonte de renda, sete em cada dez (73%) entrevistados recebem auxilio da aposentadoria do INSS ou   o pagamento de pensão, 14% se dedicam ao trabalho informal ou freelancer, 9% são trabalhadores com carteira assinada, 7% contam com os rendimentos da previdência privada, 5% recebem ajuda dos filhos e somente 4% não possuem qualquer renda.

O levantamento também revela que o dinheiro da Senioridade exerce um papel fundamental na vida de muitas famílias brasileiras.

Sete em cada dez (74%) entrevistados conseguem satisfazer suas necessidades com os rendimentos que possuem (mesmo que para 37% o salário represente o valor exato para pagar as contas) e pelo menos 94% da população acima dos 60 anos contribuem para o sustento da casa, sendo que 54% são os únicos responsáveis pelo pagamento das despesas. Mais independentes, a maior parte dos brasileiros (64%) chega à Senioridade como a único responsável por suas decisões de compras. É uma parcela considerável, que aumenta para 68% entre as mulheres entrevistas.

Mesmo considerando as responsabilidades assumidas com o orçamento familiar, eles encontram meios de cumprir suas expectativas de consumo e estão muito bem resolvidos com relação ao modo como preferem passar seu tempo livre. Para 46%, o lazer ficou mais frequente e 41% preferem sair a ficar em casa. Quase um quinto (18%) dos idosos afirmam gastar com alguma atividade física e gastar mais com viagens do que antigamente (20%). Mais de um terço (33%) dos idosos disseram investir mais em roupas atualmente para ficarem bonitos e manter uma boa aparência – principalmente os idosos da classe C (37%) – e outros 26% afirmam gastar mais com tratamentos estéticos ou utilizar produtos de beleza para se sentir mais jovens.

Consumidores idosos valorizam segurança e confiança no processo de compra tanto quanto no próprio produto, então métodos tradicionais como colocação em lojas, recompensa por lealdade e pedidos pelo correio são altamente efetivos, também permitem que sintam que o produto oferecido é mais personalizado e que alguém ao telefone ou na loja será capaz de responder às dúvidas ou ouvir as preocupações. Idosos também tendem a comprar garantias, que oferecem segurança extra e paz de espírito.

Tudo isso deixa evidente que os consumidores da Senioridade constituem, um importante mercado a ser explorado pelos setores do comércio e de serviços. Outro desafio para as empresas, mas que pode representar uma oportunidade de expansão dos negócios, é o comércio eletrônico. Pelo menos 7% dos entrevistados da Senioridade já adquiriram o costume de comprar pela internet. É um número ainda reduzido, mas em alguns extratos o percentual aparece com mais força, como entre os idosos que possuem curso superior (26%) e que pertencem às classes A e B (17%).

 

2.7.8   Desejo de cultura e diversão

 Como já visto no item 3.7.2, os Idosos são o grupo que mais cresce em acesso à web e às redes sociais e o uso do computador pode traduzir-se numa alternativa ao nível dos relacionamentos e do entretenimento, oferecendo ao idoso uma maior integração social, diversão e apoio em vários serviços, considerado uma motivação acrescida, no sentido de se desenvolverem iniciativas para que os idosos possam viver com mais qualidade de vida. Em fevereiro de 2014, um estudo, da Universidade do Arizona, mostrou que pessoas acima de 65 anos que usam o Facebook possuem um desempenho cognitivo 25% superior em tarefas de monitoramento constante, memória de trabalho e rapidez em adicionar ou apagar conteúdo. Comprovando que a rede social melhorou seus níveis de concentração e processamento de informações.

Cresceu também o número de idosos que almejam o ensino superior. Aproximadamente 15.500 idosos vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2014[18], os inscritos com 60 anos aumentaram 42% em relação a 2013.  De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em 2013 o número de idosos inscritos somou 10.900, mais da metade dos inscritos em 2009 que foram 4.700. São vários os motivos para que esse fenômeno esteja acontecendo, um dos fatores é qualidade de vida que eles estão querendo alcançar, até mesmo o fato da interação entre gerações pode estar influenciando, pois o convívio diário com os jovens pode estimulá-los também a querer ir para as universidades.  A tendência é que o número de idosos ingressantes nas universidades aumente, pois a tecnologia já se encontra presente na vivência dessas pessoas.

A pesquisa Panorama dos Idosos no Brasil, mostra que a renda dos brasileiros com 60 anos ou mais atingiu R$ 446 bilhões em 2013, o que corresponde a 21% da renda total da população, colocando por terra a visão estereotipada do idoso, só com doenças, consumindo recursos da saúde, pois hoje em dia os idosos se interessam bem mais por cultura e diversão.

 

2.7.9   Quebrando paradigmas

 Como é bom poder aplaudir pessoas que viveram uma vida toda, e que, por diversos motivos externos, não fizeram coisas que realmente sonhavam, mas viram que nunca é tarde para começar e foram acampo. Vamos conhecer e nos inspirar em seis grandes pessoas, a mais nova dessa lista tem ‘apenas’ 63 e o mais velho 103 anos[19]:

  1. Hal Lasko, 97 anos, faz obras de arte incrivelmente lindas usando o Paint, faz pinturas com uma gama de detalhes usando uma ferramenta que muitos de nós abandonamos (e alguns abominam): o Microsoft Paint do Windows 95. Ele pinta um a um as cores em formato 8-bits, com ajuda do zoom ao máximo, pois tem sérios problemas de visão, mas tomando muito cuidado com luz e sombra dos desenhos.
  2. Margaret Leigh-Jones, 91 anos, DJ mais velha da Grã-Bretanha, uma simpática senhora que tem um programa de músicas antigas em uma rádio local de Hampshire, na Grã-Bretanha. Ela entrou por acaso no mundo das rádios, antes apenas atendia telefonemas, ouvia as histórias dos ouvintes, incluindo desilusões amorosas, histórias de guerra, e por ser muito simpática com os ouvintes, foi convidada a ter um programa próprio, onde ela toca músicas antigas que as rádios atuais não tocam mais, Margaret diz se considerar uma aprendiz e agradece ao trabalho mudou sua vida e aos ouvintes, seus novos amigos.
  3. Jim Henry, aprendeu a ler com 91 e publicou um livro aos 98 anos. Ele teve que largar a escola muito cedo para trabalhar e ajudar a família no sustento. Ao longo dos anos foi escondendo seu analfabetismo e a única coisa que conseguia era reconhecer seu nome, mas tudo mudou quando conheceu a história do neto de escravos, que aprendeu a ler e a escrever aos 98 anos, e ainda conseguiu um diploma. Jim então começou a ver livros para principiantes, aprender as letras do alfabeto, a formar as primeiras palavras, e sete anos depois publicou seu primeiro livro chamado “In a Fisherman’s Language”, uma autobiografia, onde conta suas aventuras durante décadas de trabalho no mar.
  4. Mary Hvisda, 63 anos, toca bateria incrivelmente bem. “Grandma Drummer” (Vovó Bateria) é como ela foi carinhosamente apelidada, depois que entrou em uma loja em Wisconsin (EUA) e foi filmada arrebentando na bateria, tanto que seu vídeo “viralizou” na internet. Ela começou a tocar aos 15 anos, e seguiu em bandas até meados dos anos 90, quando acabou desistindo por não ter mais banda para tocar, e posteriormente vendeu sua última bateria. Mas sua paixão nunca acabou, ela adora ir nas lojas de instrumentos musicais e tocar um pouco para matar a saudade, e sai satisfeita. Ela ganhou notoriedade e o dono da loja do vídeo em questão acaba de presenteá-la com um conjunto de baterias eletrônicas
  5. Fauja Singh, de 102 anos, é maratonista, e não imagina a vida sem treinar, ele se tornou bastante conhecido mundialmente, quando, aos 100 anos de idade disputou a maratona de Toronto, no Canadá – 42km percorridos em pouco mais de 8 horas. Mas quem acha que ele é corredor desde sempre, se engana, já que ele teve um problema de nascença que o impediu de andar até os cinco anos de idade, e só descobriu a maratona nos anos 2000, quando perdeu sua esposa e um dos filhos e se mudou para a Inglaterra, onde encontrou na corrida uma forma de ‘trazê-lo’ de volta à vida, fazendo-o esquecer dos traumas e tristezas. Segundo Fauja, isso lhe trouxe uma paz de espírito inabalável: “Quando me vi correndo, foi como conhecer o próprio Deus. Continuo correndo desde então”. Testes médicos feitos quando ele tinha 99 anos de idade, mostrou que clinicamente ele tinha a saúde de um homem de 40.
  6. Lillian Weber, de 99 anos, participa do projeto Little Dresses for Africa que já distribuiu 2,5 milhões de vestidos para crianças carentes da África. Parte dessas peças foram costuradas por que vive em uma comunidade de idosos localizada em Davenport, Iowa (EUA). Há dois anos, D. Lilian destina parte de seu tempo à África e faz um vestido por dia. Os modelos de vestido variam pouco, mas Lillian faz questão de decorá-los de forma diferente. Em cada um deles há um laço, um detalhe ou uma fita que os torna peças únicas. Em 6 de maio de 2015, ela completará 100 anos e se o ritmo continuar o mesmo, irá chegar aos mil vestidos costurados. Todas essas 06 pessoas e tantas outras anônimas, quebram todos os paradigmas e desafiam estereótipos de pessoas na Senioridade, deixam um legado e grande aprendizado inigualável para todos.

 

2.7.10   A Senioridade ganha o mundo.

A Senioridade é considerada a “melhor fase” para aproveitar a vida e, claro, viajar, é o que uma pesquisa, a de Hábitos de Turismo na Senioridade, realizada pelo Programa de Administração de Varejo, da Fundação Instituto de Administração, revelou: 32,9% das pessoas acima de 60 anos viajam de duas a três vezes por ano e 46,7% permanecem menos de sete dias no destino.  Sem compromissos com trabalho, filhos pequenos ou estudos, sem limitação de calendários e tomando cuidados na escolha de roteiros e serviços, o idoso pode aproveitar as promoções para viajar na baixa temporada. Entre muitos detalhes, o estudo mostra que os viajantes idosos normalmente optam por viagens em grupo, com programação específica e temática, gostam de áreas serranas, praias, áreas rurais, cidades culturais, resorts e destinos com neve.

Esse público está na mira de diversos segmentos da economia, e através do Programa Viaja Mais Melhor Idade, iniciativa do Ministério do Turismo que proporciona às pessoas a partir de 60 anos, aposentados e pensionistas a oportunidade de viajar pelo Brasil, ao mesmo tempo em que fortalece o turismo interno. Este público, que tem como uma de suas características a possibilidade de tirar férias em períodos de baixa ocupação, pode minimizar um grande problema do setor turístico: a sazonalidade. Os viajantes têm acesso a descontos e vantagens exclusivos – incluem, por exemplo, diárias extras, entradas e passeios gratuitos.  Dados do Ministério do Turismo mostram que a população acima de 60 anos já responde por quase 18 milhões de viagens ao ano no Brasil, o que representa uma fatia de 8,9% do mercado nacional.

Dado este potencial de mercado significativo, a Amadeus[20] fez um estudo “Tendências sobre a terceira idade: compreendendo o consumidor e o viajante idoso ativo”, onde compilou dados sobre a visão dos viajantes idosos, por meio de combinação de análise de tendências, pesquisa documental e entrevistas com grupos-alvo de viajantes frequentes, com idade de 50 anos ou mais, em quatro países: Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha.

Quatro tendências-chave emergiram como características importantes e considerações para satisfazer às necessidades exclusivas do viajante idoso ativo:

  1. Desafiando “velhos” pressupostos: Idosos ativos são jovens de coração e não se consideram “velhos”. Finalmente, eles sentem que têm o tempo, a energia e os recursos financeiros necessários para explorar e fazer coisas novas. Uma viagem se torna algo mais conduzido pela experiência, à medida que eles procuram gastar seu tempo de maneiras mais significativas. “Um tamanho único não serve para todos”, não existe uma solução universal que atenda a todos.
  2. Realizar x possuir: Os idosos ativos já não medem o que eles têm pelos bens materiais que possuem; ao contrário, preferem medir o que têm pelas experiências que viveram. Eles valorizam o “visitar para fazer algo” em lugar do turismo do “visitar somente para ver”; são ativos, aprendendo, descobrindo e encontrando entusiasmo em novas experiências, ao invés de querer adquirir coisas novas.
  3. Deixando um legado: Os idosos ativos sentem que estão em melhor posição econômica do que seus filhos e querem compartilhar experiências que enriquecem toda a família. Eles procuram atividades altruístas e veem o “voluntarismo”, mistura das atividades de voluntariado com as de turismo, como forma de contribuir ativamente com a sociedade.
  4. Utilizando a tecnologia: Em um mundo onde a tecnologia parece prevalecer, os idosos ativos veem a tecnologia como um meio, e não um fim. O uso excessivo da tecnologia para “sempre estar conectado” não é aceitável para eles; apreciam a interação humana e valorizam os profissionais de turismo que oferecem serviço personalizado e transmitem uma sensação de confiança e segurança.

Com todo este mercado em expansão, que mostra-se um grande nicho a ser conquistado, devido aos viajantes idosos mais ativos quererem realizar o que está em suas listas de desejos e deixar um legado para suas famílias, a viagem torna-se um componente central destes planos e a indústria de turismo está se estruturando cada vez mais para ajudá-los a realizar seus sonhos, pois são clientes exigentes, que merecem alguns “mimos” especiais e convenientes aos turistas da Senioridade!

Referências:

[1]MASC. Silvia. O olhar ao idoso no Japão e na China. Disponível em: http://longevidade-silvia.blogspot.com/2010/04/o-olhar-ao-idoso-no-japao-e-na-china.html#ixzz3HkYDM9Zf Acesso em 16.10.14.

[2] MOREIRA Virgínia. Do indesejável ao inevitável: a experiência vivida do estigma de envelhecer na contemporaneidade -Psicol. USP vol.19 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2008

[3] O corpo na cultura: envelhecimento e relações desiguais de gênero na sociedade http://www.gentequeeduca.org.br/planos-de-aula/o-corpo-na-cultura-envelhecimento-e-relacoes-desiguais-de-genero-na-sociedade Acesso em 17 de out de 2014.

[4]  GOLDENBERG. Mirian, Corpo, envelhecimento e felicidade na cultura brasileira – Revista Contemporânea Ed.18 | Vol.9 | N2 | 2011 Disponível em: http://www.contemporanea.uerj.br/pdf/ed_18/contemporanea_n18_06_Mirian_Goldenberg.pdf Acesso em 17 de out de 2014.

[5] FONDA, Jane. O melhor momento: aproveitando ao máximo toda a sua vida, Tradução por Débora Landsberg. -1.ed. – São Paulo: Paralela, 2012

[6] LEVY Becca, Association Between Positive Age Stereotypes and Recovery From Disability in Older Persons- he Journal of The American Association (JAMA) Universidade Yale, EUA Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/visao-positiva-da-velhice-melhora-a-saude-de-idosos Acesso em 18 de out de 2014.

[7] OLIVEIRA. Wanderlei, Correr retarda o envelhecimento. Disponível em: http://espn.uol.com.br/post/416799_correr-retarda-o-envelhecimento  Acesso em 18 de Out de 2014.

[8]  Disponível em: http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/idosos-internautas-compoem-grupo-que-mais-cresce-nas-redes-12962562#ixzz3HqahxZRQ  Acesso em 18 De Out. de 2014

[9] Disponível em:  http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2014/11/66-dos-idosos-brasileiros-usam-internet-afirma-pesquisa.html   Acesso em 18 de Out. de 2014

[10] Disponível em: Tablet faz uso de Internet crescer entre idosos, diz estudo britânico – http://www.jornalistasdaweb.com.br/2014/04/29/tablet-faz-uso-de-internet-crescer-entre-idosos-diz-estudo-britanico/ Acesso em 18 de Out. de 2014

[11] Número cada vez maior de idosos têm optado por viver sozinhos Disponível em:http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2012/04/29/interna_gerais,291591/numero-cada-vez-maior-de-idosos-tem-optado-por-viver-sozinhos.shtml. Acesso em 19 de Out. de 2014

[12]   Velhice sem tabus quase 3 milhões de idosos morando sozinhos. Disponível em: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2014/01/11/noticia_saudeplena,147017/Velhice-sem-tabus-quase-3-milhoes-de-idosos-moram-sozinhos-no-brasil.shtml Acesso em 19 de Out. de 2014

[13] Nova geração de idosos chega a terceira idade experimentando a autonomia. Disponível em http://sites.correioweb.com.br/app/50,114/2014/09/07/noticia_saudeplena,150241/nova-geracao-de-idosos-chega-a-terceira-idade-experimentando-a-autonom.shtml Acesso em 20 de Out. de 2014

[14] SÉ.V.G.Elisandra, Namoro na terceira idade pode ser intenso e saudável. Disponível em: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/mentenaterceiraidade_namoro.htm Acesso em 20 de Out. de 2014

 [15]  TELLES. M. Maria Inez,  A dualidade na inserção política, social e familiar do idoso: estudo comparado dos casos de Brasil, Espanha e EUA.  Disponível em: Walterhttp://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-62762010000100008&script=sci_arttext. Acesso em 20 de Out. de 2014

[16] Número de jovens cai e de idosos aumenta nas eleições deste ano. Disponível em : http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-07/numero-de-jovens-cai-e-de-idosos-aumenta-nas-eleicoes-deste-ano. Acesso em 20 de Out. de 2014

[17] Disponível em:  http://www.cdllinhares.org.br/noticias.php?id=629. Acesso em 20 de Out. de 2014

[18] Enem terá 15 mil candidatos idosos. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2014-10/enem-tera-15-mil-candidatos-idosos.    Acesso em 20 de Out. de 2014

[19] Idosos que fazem coisas que muitos jovens não chegam nem perto de conseguir. Disponível em:http://www.hypeness.com.br/2013/07/5-idosos-que-fazem-coisas-que-muitos-jovens-nao-chegam-perto-de-conseguir/

[20] Idosos são consumidores valiosos para a indústria aponta pesquisa. Disponível em:http://www.mercadoeeventos.com.br/site/noticias/view/111505/idosos-sao-consumidores-valiosos-para-industria-aponta-pesquisa  Acesso em 05 de Nov. de 2014

One comment on “Nova Senioridade

  1. Agradeço ter encontrado voces! Gostaria de compartir, se é que posso, com meus visitantes da Fan Page Florescimento & Melhor Idade!
    São varios artigos, gostaria de saber quem copilou tantos artigos valiosíssimos.
    Forte abraço e gratidão!
    helena

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